Três Vírgula Quatro Graus na Escala Richter aborda a ‘tá tudo bem’ da família
E lá vamos nós, de volta ao Teatro Prosa, no Sesc Horto, depois de pouco mais de dois meses. A última foi para assistir Relicário de Mim e a dança de Frantielly Khadija. O da vez, é a peça Três Vírgula Quatro Graus na Escala Richter.
Em cartaz por três dias, entre quarta (5) e sexta, e, ao que parece, público compareceu. Isso é bom. Opa, de repente, se ler isso aqui antes das 18h do dia 7 ainda dá tempo, corre lá. O espetáculo que aborda questões familiares, sobretudo da mãe é da Companhia OFIT.
Nádja Mitidieiro. Lembrei de onde a tinha visto em cena. Abril de 2024, reabertura do Aracy Balabanian, em Todo Redemoinho Começa com um Sopro, também com direção de Nill Amaral. Escrevi sobre, depois quiser ler clique aqui.
Foco. A depender de quem assiste, Três Vírgula Quatro Graus é meio que uma terapia. Óbvio, longe de ser apenas isso.
“Propõe uma reflexão sobre o lar, os vínculos que construímos e a dificuldade de nos despedirmos daquilo que já deixou de existir, mas permanece em nossa convivência como se nada tivesse mudado”. Esse é trecho da descrição do espetáculo, lá do Sympla, de onde comprei os ingressos gratuitamente.
No palco, além da mãe, ponto central da peça e dos lares em geral, o marido (Leandro Faria), a filha mais velha ( Fernanda Almeida), a do meio (Karine Araujo), e o caçula (Gabriel Mikyo), quem sabe a tal família tradicional, né?! Umas cadeiras, pontos de luz, um ou outro objeto e tal.
A personagem de Nádja narra suas decepções e frustrações – gotículas de pequenas lembranças alegres - em meio à ideia de largar a mão das tarefas domésticas. Ao mesmo tempo que os demais familiares vivem cada um na sua. Entre lamentações e humor ácido, a madonna aciona uma espécie de Nanny McPhee/Supernanny com, sei lá, Vera iaconelli, talvez.
A mulher em questão chegaria para cuidar da família, caso a mãe resolver mesmo partir. A interpretação de Jurema de Castro é cirúrgica. As conversas com a “dona de casa” geram química ideal para o ambiente tenso da residência.
A profissional escuta e sente a retrospectiva sentimental sobre as filhas, filho, e o marido. Propositalmente, ou não, situações por vezes caricatas explicitam as frustrações contidas nas relações. Sem lugar de fala, evitar mostrar os sentimentos para não desagradar, receber presentes iguais ano após ano e, por aí vai. Convenhamos, errar a música preferida é de cair o c da b. What's going on?
Ainda assim, sentir-se culpada.
Entre os tremores nas relações familiares, o texto pincela a maquiagem nos sentimentos, na falta da conversa franca, e desemboca na superficialidade e no cotidiano que, tijolo após tijolo, cimenta o lar bonito por fora, mas cheio de infiltrações em suas dependências.
Entre os pontos altos de Três Vírgula Quatro, a cena da mãe sendo surpreendida – putz, vai um spoiler, não tem jeito – com os parabéns pelo aniversário ganha tons desconfortantes e sombrios em que o elenco cumpre sob medida seu papel.
Cenografia, luz e iluminação a cargo de Gil Esper e Yuri Tavares agregam muito ao trabalho de Éder Rodrigues e. por consequência final, na direção de Nill Amaral que completa vinte anos com a Companhia OFIT.
Pelo que pesquisei rapidão, este trabalho é resultado de workshop do projeto P.E.S.S.O.A.S., contemplado por fundo municipal de cultura. Na torcida para que Campão aumente e siga no apoio no teatro e demais áreas artísticas. Como foi dito nas considerações finais, fomento à cultura e
linha de frente parecem expressões interligadas para sobrevivência da cena local.
Se não der tempo desta vez, que venham mais apresentações em breve. É isso. Espero que curta. Enquanto isso, vou comprar cigarros (brincadeira, não fumo).
Se acha que o bloguinho merece um Pix, apoie.
A chave é a mesma do e-mail – blogdokisho2@gmail.com
Quiser só trocar ideia ou entrar em contato, bacana também.
Abraço



Comentários
Postar um comentário