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Torcida sangue puro brasileiro(a) versus meus olhos puxados

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  Sabe, tenho de parar de se importa tanto. De sentir tanto. E aderir ao modo tanto faz. No caso, tanto faz torcer para o Brasil ou para o Japão. Meus olhos puxados, sentença eterna de que não sou bem vindo no país que se diz acolher todo mundo. Até acolhe, mas escolhe quando você pode ser “brasileiro”. Li um comentário em cima de um vídeo que usava o humor para lidar com a xenofobia (ela usou o termo racista, babaca), que dizia: o japonês só é brasileiro quando convém. Às vezes têm coisas que estão na cara e não vemos. Fenômeno interessante: quando mais fico velho, mais incomodado eu fico. Não é a primeira vez que derramo isso por aqui. Que merda. Penso que, desta vez, tem a ver com decepção, frustração na expectativa de, sei lá, se apegar ao “as coisas estão mudando e o preconceito é cada vez menos tolerado.” Convivo com piadinhas, e, até casos de quase agressão desde que me entendo por gente. Seis, sete anos de idade. De lá para cá, pouco mudou. Utilizo o termo pouco com boa von...

Pai Mãe Irmã Irmão, não sei se vai gostar. Bem, fica a dica

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Rolex, garotos skatistas, água, melhor chamar o tio Bob. Dessas conexões, ou insights – como queira – Jim Jarmusch guia Father Mother Sister Brother, ou Pai Mãe Irmã Irmão. Em meio a uma trilha também coproduzida pelo diretor estadunidense, o longa de quase duas horas é um drama-comédia mais ou menos sobre o que diz o título do filme. Tríptico, dizem os críticos. E eu tive de saber o que significa. New Jersey, Dublin e Paris parecem ser as locações em que o vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza se instala. Dividido em três partes, Adam Driver – não tem jeito, sempre vem Histórias de Um Casamento na mente – e Mayim Blalik (lembrei de The Big Bang Theory) abrem os trabalhos e a estrada. Interpretam Jeff e Emily, que visitarão o pai em clima mais de obrigação do que afeto. O Father em questão tem a voz inconfundível, pois trata-se de Tom Waits. Vive meio isoladão do perímetro urbano, sobretudo depois da morte da mulher. Jarmusch parece sem pressa. Brindes insólitos, uma referênci...

Seu Pereira e Coletivo 401 é dica Só Escutei Agora da vez

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Olha, em uma parada multiversa – umas três décadas, no tempo do SIT (Sistema Integrado de Transporte) -, talvez formasse uma banda, a 085, ou 070. Mentira, sei tocar nada e minha voz/dicção é caso grave. Peguei carona nesse ponto sem cobertura para dar um vale-transporte, vale dica Só Escutei Agora. Seu Pereira e Coletivo 401 me foi apresentado por uma amiga. Indicação dela geralmente dá bom. Sorte a minha, azar do algoritmo que fica todo bagunçado. Divertido. Momento copia e cola, o grupo que vem lotado de João Pessoa/PB, surgiu em 2009 por meio de amigos que tinham um transporte coletivo em comum, o 401, que cruza a capital paraibana até o bairro Altiplano. Fazem parte, “Jonathas Pereira Falcão (vocal e guitarra), Chico Correa (guitarra), Thiago Sombra (baixo) e Victor Rama (bateria) na formação original. A banda também é acompanhada pelos músicas Daniel Lima (Trombone) e Felipe Gomes (Trompete).” Peguei lá do Spotify. Eu Não Sou Boa Influência pra Você é o álbum que tropecei. De 20...

Álbum do Triángulo de Amor Bizarro é dica de sonido da vez

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Tropecei em Triángulo de Amor Bizarro – inspiração em hit do New Order dista de ser mera coincidência – quando assistia a Los Años Nuevos (textei sobre a série, se quiser depois clique aqui ). A faixa em questão era Seguidores . Formada em 2004, atualmente tem Rodrigo Caamaño Díaz, na guitarra e voz, Isabel Cea Álvarez, baixo (essas mulheres e seus baixos maravilhosos) e voz. e Rafael Mallo, bateria. O trio espanhol faz um rock competente. Diria que tem algo de pós-punk, indie, e otras cosas a depender do gosto da banda. “Shoegaze”, para os mais novos ou nem tanto, ficando velho mesmo Pra evitar o Momento Só Escutei Agora, a dica é o álbum Mi Catedral , lançado este ano. Uma porrada com ares melancólicos e situações do dia a dia. Em algumas partes, remeteu às argentinas da Fin del Mundo. “Reyes digitales eclipsan el momento Ayer está tan lejos como un millón dе años Reyes digitales еsclavizan mis manos No se mueven sin permiso, los necesito, aire Llena los pulmones al ritmo de la guerr...

Sobre obra de Clarice Lispector, O Livro dos Prazeres é o Só Assisti Agora da vez

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  Baseado em obra de Clarice Lispector, filme O Livro dos Prazeres tem Simone Spoladore. E Simone Spoladore. Na direção de Marcela Lordy, a atriz protagoniza Lóri. De 2021, é um drama/ficção com ares literários. Nisso, o longa de uma hora e quarenta minutos nem poderia ser diferente. “O coração tem que se apresentar diante do Nada sozinho e sozinho bater em silêncio de uma taquicardia das trevas” Começa assim, com os dizeres extraídos da obra de Clarice Lispector, lá dos anos 69. Não li, quem quiser enviar um link ou pdf ou livro, aceito e lerei com certeza. Sério. Bom, li uma resenha na qual afirma que a pessoa compreenderá o filme mesmo sem conhecer a obra escrita. Menos mal. Eu ainda preferia ter lido antes. Vamos de sinopse oficial. O LIVRO DOS PRAZERES acompanha Lóri, uma professora que vive a monotonia de uma rotina de trabalho e relacionamentos furtivos até que conhece Ulisses, um professor de filosofia argentino, egocêntrico e provocador. É com ele que Lóri aprende a amar e...

Uma noite de violões entre Tenebrosa, Dedicatórias e Patápio

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  Quinta-feira de feriado, paramos lá na UFMS. Não é beem aleatório, ano passado fomos em uma noite , lá no Glauce Rocha. Festival Internacional de Violão. O bacana de ir nesses barato – entrada de grátis – é, sei lá, parece que educa os ouvidos. Sem comparar estilos, música clássica, chorinho, orquestra, recital de violão realmente não fazem parte do rodo musical cotidiano deste ouvinte generalista. Mas, sei lá, é tão bonito observar os dedilhados, expressões, o esforço, de pertinho. Tudo bem, o auditório Luis Felipe Oliveira talvez não seja o mais ideal dos palcos mas, cadeira quebrada ou detalhezinhos ficam longe de comprometer a oportunidade. Sim, solto o, “quem não foi perdeu”. A segunda noite de apresentações desta edição começou com a Orquestra de Violões de Campo Grande. Pelo que entendi, ficou um tempo parada, voltou e agora Anderson Francelino tá na direção. Foi bacana, com direito à composição própria “Tenebrosa” (quem esteve lá ou conhece o trabalho dos integrantes pega...

Devoradores de Estrelas não é de outro mundo mas vale a pena

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Sei lá porquê encanei de assistir Devoradores de Estrelas. Talvez devido a uns cortes criticando o filme, e/ou algum vídeo curto falando bem. Vai ver apenas não queria pensar muito. Nem sabia que era com o Ryan Gosling. Sério. Tampouco que havia participação valiosa de Sandra Hüller. Aliás, se soubesse… Project Hail Mary (título original, Projeto Ave Maria), pode ser encarado de várias maneiras. Uns lembram de Interestelar. Talvez. Diria que o filme lançado este ano dirigido por Phil Lord e Chris Miller é mais ficção científica na acepção da palavra.  Tem ao menos um detalhe em comum: fazem jus ao termo longa-metragem. A produção baseada em livro homônimo de Andy Weir (autor de Perdido em Marte, que também foi parar na tela) tem umas duas horas e meia de duração. Outros abordam o lado mais psicológico, social da coisa. Solidão, perda de memória, amizade, sensação de pertencimento, aceitar o diferente, e por aí vai. Resumidamente, Ryan interpreta o professor de ciências Ryland Grace...