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A Vizinha Perfeita mostra como raiva e medo podem bater na sua porta

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  Uma das razões que parei para assistir é a de que foi indicado ao Oscar – perdeu para Um Zé Ninguém contra Putin (não vi) – e uma outra é de que tenho acesso mesmo. Tá na Netflix. A produção de A Vizinha Perfeita usa como outro chamariz o fato da maioria dos 96 minutos ser imagens de câmeras corporais da polícia do condado de Marion, lá da Flórida. Óbvio, esses ingredientes ficam longe de ofuscar as temáticas que permeiam a boa direção de Geeta Gendbhir. Se não topou com o documentário, vai aí momento uma sinopse. “Imagens de câmeras policiais revelam como uma antiga briga de vizinhos acabou em morte nesta obra sobre medo, preconceito e a lei de legítima defesa nos EUA.” Já ouviu o último trabalho da Tuyo? Escuto enquanto digito por aqui. Pra quem gosta tá legal. E daí, né, nada a ver. Deixa eu curtir cá no meu fonezinho de ouvido sem incomodar o vizinho. Ajike Owens não teve a mesma sorte. Ela foi o resultado fatal de uma situação que, no primeiro instante, tinha mais ares de ba...

Da batalha de rima a Chico Chico, ou, das 4 até as 11 em campus

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  Posso chamar, sim, de rolê meio aleatório. Afinal, das 4 da tarde até as 11 da noite, no mesmo lugar, com um vácuo de umas duas, três horas, tem de ter disposição. E a sorte de re-ver antigas e - nem tantas assim – amizades. A ideia 1 era conferir a Batalha de MC’s, ou de rimas, como queira. Essa foi a parada do fim da tarde. Fases finais de um pessoal bem afiado. Senti falta de uma mina entre finalistas. Quem sabe em um futuro próximo. E, adaptar o coro de “Conhecimento!”, confesso, demoro para me adaptar. Vai ver, está no Sangue (!). Rap é bom, né. Os caras não pouparam ninguém em cima do palco montado no estacionamento do Teatro Glauce Rocha. Merecia plateia maior, porém, é compreensível. No duelo final, Mano Cid levou a melhor, embora eu tenha preferido o CJ. E daí, né, quem sou em pra julgar, gente de alto quilate na fita para dar o veredito. Respeita. O importante é a cena crescer, ocupar espaços sem perder o que caracteriza o hip-hop. Ah, e engrosso o coro para libertar qu...

Em Idade é Um Sentimento a escolha é sua. E, tá tudo bem

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  Gabriela Munhoz e Paola Kirst abordam temas difíceis de envelhecer. Ou, vá ver, envelhecem bem. Quinta-feira, se eles foram ao Glauce ,eu fui ao Prosa. Fazer o quê, né, Idade é um sentimento. E é fruto de escolhas. E, tá tudo bem. Mais ou menos assim, a peça teatral com direção de Camila Bauer foi minha opção. Aliás, parabéns pelo prêmio Shell cujo Instinto quem sabe um dia passe por aqui. O espetáculo teatral da vez lá no Sesc Horto é montagem inédita baseada em texto da canadense radicada em Londres Haley McGee, e “aborda a trajetória de uma mulher na vida adulta, do dia em que ela completa 25 anos até a sua morte”. Pelo que pesquisei rapidinho, a adaptação de Age is a feeling não tem dois anos. Ao esbaldar em intervenções/movimentos (sobretudo por Gabriela), trilhas sonoras em pleno palco (percussão, efeitos, bateria nervosa de Paola Kirst), a produção gaúcha tem forte apelo audiovisual. Em meio às escolhas preta, branca, cores em imagens projetadas ao fundo da encenação, tema...

Se pudesse, levaria o baú de Petúnia para casa

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Em momento Só Estou a Escrever Agora. Petúnia, do Fulano di Tal, tá redondinha. Em mais uma ida ao Sesc Horto, sexta-feira (20), Luana Vilela, Nicoli Dichoff, Kelly Figueiredo protagonizam a história de Petúnia (Luana), a mais feia das feias, em uma peça com cenários e figurinos interessantes. Se pudesse, levaria o baú para casa. De maneira tragicômica, a produção que tem entre as mentes criadoras. Marcelo Leite e Douglas Moreira, dá para dizer que é recomendável para todas as idades. Em meio à situações que remetem ao ar mesquinho das cidades que crescem de tamanho e mantém tacanha mente provinciana – sentimentos como inveja e preconceitos simbolizados pela personagem de Nicoli - Petúnia aguenta a vida de bosta de vaca sobretudo pelas parcas lembranças que entende ter de sua mãe. O figurino e maquiagem também a cargo de Edner Gustavo contribuem bastante na montagem e traz cores vivas ao palco. Em meio às memórias, os perrengues de Petúnia, aparece a “Criatura Sem Nome”. Personagem d...

Inquieta, som da Kim Gordon é a dica da vez

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Lá vai dica talvez pouco imparcial. Kim Gordon é queridona deste que escreve. Icônica desde Sonic Youth, a nova iorquina criada em Los Angeles, segue autêntica. E, na essência, muito mais rock que porrada de marmanjo por aí. A penúltima coisa que havia escutado dela foi Little Trouble Girl (tudo bem é antiga, então achei agorinha um clip ao vivo com ELAS). Petardo com aquela ironia inerente a ela e a outra mulher massa das antigas: Kim Deal, by Pixies, e, ao lado da sister gêmea Kelley Deal, no The Breeders. Banda aliás, que emplacou até “hit”. Ao menos na minha época, com Cannonball. Certeza, já deve ter visto ou escutado. A última havia sido um vídeo dela em cima de ByeBye, de 2024. Som que a artista repagina neste trabalho. Kim Gordon vem muito antenada com o álbum Play Me . Que fui tropeçar por meio da newsletter Torpedo, feita por Thales de Menezes. São 12 faixas em exatos 29 min e 59 segundos. Aposentou faz horas os experimentos baixistícos e guitarrísticos dos tempos de Thurston...

Por um Ato de Resistência fui conhecer o Teatro de Bolso

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  Fazia tempinho que não emendava um rolê meio “saia do sofá e vá!” Sábado tava lá, meio de intruso no novinho Teatro de Bolso da Flor e Espinho.  Ato de Resistência. Nome do espetáculo do Teatral Senta Que o Leão é Manso. Idealizado em Três Lagoas em 1978 e censurado pela ditadura da época, só consegui assistir agora. Com Marcello Piccolli de elo entre a origem e a releitura aos dias atuais, a peça cai como uma luva na divulgação/inauguração do espaço. Junto com a lembrança e homenagem para Roberto Figueiredo. Pouca coisa escapa do leque crítico explicitado pelo quinteto em cena.  Da injustiça social, aos cartazes levantados a chamarem a atenção aos problemas de agora, Ato de Resistência é auto explicativa, reflexiva, e ao fim das contas uma esperança em forma de resiliência cultural em Campo Grande e Mato Sul.  Fica aqui o registro modesto deste que escreve. Certamente terei zero coisa importante a acrescentar sobre o que já foi dito sobre a obra.  Muito inter...

Com atuações regaçantes, Malu pulverizou minhas expectativas

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  Malu é daqueles filmes que se estiver meio pra baixo, melhor esperar um pouco. O drama dirigido por Pedro Freire é capaz de produzir várias sensações durante os seus cem minutos. Pela interpretação de Yara de Novaes, já valeu a ida (novamente) ao Sesc Horto, no meio desta semana. Acompanhada por Carol Duarte, que faz a filha Joana, e Juliana Carneiro da Cunha, que vive a dona Lili, mãe de Malu, faz uma poderosa junção. A impressão é de que o pavio é curto e a bagaça explode ou vai explodir a qualquer instante. Lançado em 2024, queria assistir faz uma cara. Entregou mais do que esperava. Inspirada na atriz Malu Rocha, mãe do cineasta. Se tá meio por fora, vou começar por uma breve resposta a um amigo que perguntou sobre o que é a história do filme. A explicação que mandei por whats para um amigão. “Basicamente, se passa nos anos 90. É sobre uma atriz desempregada, que mora com a mãe (bem) conservadora. E, a filha vem visitá-la. Daí, dá uma porrada de barracos, a mãe é daquela...