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Acho que não expectorei o bastante em Lispectorante

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  O problema de criar certa expectativa é a de que se corre o risco da frustração. É do jogo e tá tudo bem. Fazia uma cara que tava a fim de ver Lispectorante, dirigido por Renata Pinheiro. Se ler essa groselha até o começo de outubro dá para ver no Sesc Digital, de grátis. Deve ter em outras plataformas também. Lançado em 2024, pelo que li depois de assistir o longa ambientado em Recife, local em que a baita escritora Clarice Lispector viveu dos cinco aos 15 anos (chegou ao país vindo da Ucrânia com a família) e tal. Pessoal gostou muito do filme, ou não. No enredo, Glória (Marcélia Cartaxo), é uma artista plástica que retorna à sua cidade, para a casa da tia. Daí em um dia, de andada pelo bairro da Boa Vista, centro da Manguetown (difícil eu não lembrar de Francisco Assis França),depara com a residência que um dia foi habitada por Lispector. No imóvel abandonado, tenta espiar um pouco mais entre uma fresta, e daí inicia para valer o lado a lado de sua história com fragmentos alus...

A Voz de Hind Rajab era para nos tirar da Faixa de conforto

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  Se ficou indiferente ao assistir A Voz de Hind Rajab, na boa, morreu por dentro. Não suporta filme de criança sofrendo, nem tenta. O longa dirigido pela tunisiana Kaouther Ben Hania é um drama. Na acepção da palavra. Real. Tropecei no longa de quase hora e quarenta minutos após ler um tweet do Sérgio Xavier Filho, mês passado. Entre outras coisas, ele definiu como “soco no estômago é o aperitivo”. Desde então, confesso, entrei em processo criar coragem. Bom, por esses dias, já tava meio de cara mesmo, chegar em casa depois de um trânsito detonado, semáforos bugados, árvores caídas, louça do almoço amontoada, e, ainda, fazer a janta… Me senti pequeno depois de entristecer e indignar, impotente, durante e depois do filme que foi aplaudido pacas no Festival de Veneza, ano passado. Merecidamente. “Eu estava no meio da campanha do Oscar por Four Daughters e me preparando mentalmente para, enfim, entrar em pré-produção de um filme que vinha escrevendo havia dez anos. Então, durante uma...

Assisti Mickey 17, fica a impressão de que dava para fazer mais

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Um elenco com gente conhecida e um diretor premiado fazem no mínimo dar uma espiada, né. Nem lembrava que Mickey 17 era dirigido por Bong Joon-ho, do ótimo Parasita (2019). A vontade foi aguçada após Estou Pensando em Acabar com Tudo (2020, textei sobre, quiser ler depois, clique aqui ) , em que, pra variar, Toni Collette faz atuação acima da média. Pois é, daí que soube que chegaria ao catálogo da Netflix. Além de australiana, a produção Coreia do Sul/EUA conta com Robert Pattinson, Naomi Ackie, e Mark Ruffalo. A ficção científica de menos de duas horas e meia foi baseada em um livro (Mickey 7, do estadunidense Edward Ashton, publicado em 2022, não li), e tem pitadas de crítica ao avanço desenfreado da biotecnologia (e o que fazer com a ética), do populismo, narcisismo, fanatismo, entre outros ismos. Um humor ácido, marca tanto de Bong Joon-ho, como, creio da escola sul-coreana. Por exemplo, a série Squid Game/Round 6, de Hwang Dong-hyuk. No caso de Mickey 17, a pegada irônica social ...

Que horas são? Talvez seja hora de Dançar o Tempo

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  Eis que, numa quinta-feira, estávamos nós de frente para Renata Kabilaweatala, no Sesc Horto. Digo, a umas poucas fileiras do Palco. Giratório, giratória. Espetáculo solo Dançar o Tempo, do Núcleo Coletivo 22, que completa 25 anos, com lugar de fala e imagens em mistura afro releitura da professora universitária/capoeirista/ artista, e resulta em trabalho bem autoral. Memorial que brotou em São Paulo e frutificou em Goiás. Ela pedia as horas para o público mas não marquei o tempo da apresentação. Uns 40 minutos talvez? Eu não cansei, mas ela “pediu água”, como notou o atento gurizinho na plateia. Brincadeira, tá?! Deixa rolar, como Renata frisa, é tempo de celebrar. Que seja para marcar na memória, literalmente da cabeça cabele- cabel- cabeleireira - aos pés. Umbanda que move, resiste, e deixa sempre o mix de encantamento e curiosidade para seres nem tão aFÉitos como eu, um católico pouco praticante. Som de berimbau, de atabaque, são loucos né, tal qual 22 ou 0 na carta do tarô (...

A vó, o neto e seus parças, Kasa Branca abriga dica bacana de filme

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No filme Kasa Branca, Big Jaum faz o Dé, garoto que cuida da avó Almerinda (Teca Pereira), em estágio avançado de Alzheimer. Mora na Chatuba, quebrado de grana com direito à Bruxa de Blair cobrando aluguel atrasado. Ele tem dois amigos, e a direção de Luciano Vidigal guia o trio pelo Rio de Janeiro. Se imagina que o longa lançado no circuito em 2025 é apenas mais um em que aborda o tratamento dado às pessoas idosas no Brasil. É isso também. Porém, longe de ser “apenas” isso. Prato cheio que faz da cidade carioca um espelho da periferia brasileira. Principalmente das mazelas que afligem a população pobre e negra. A trilha sonora   de Fernando Aranha e Guga Bruno é muito boa. Já disse antes, das coisas que espantam minha preguiça e cansaço de topar esses programas após dia de serviço é assistir em tela grande e som sempre bem equalizado do Teatro Prosa, no Sesc Horto. Além, óbvio, de ser de grátis. Elementos africanos de fundo e na superfície, como o berimbau, deixam claro que Vidiga...

Cinco sons em modo aleatório para Campão 127

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Bora lá com listinha para não passar batido os 127 de Campão. Bem ou mal, mas sempre aniversário em 26 de agosto. Por pouco não é Leão, e, realmente, se parece mais com Virgem. 1899 é Porco da Terra. Aí já não sei, zodíaco chinês é mais complexo, sei lá. Eu sou Serpente de Fogo (ô loco!), e daí?! Depois desse devaneio astrológico, cinco sons e/ou canções que escutei (mais) de 2025 para cá e são from Campo Grande (Big Field acho meio paia). Tá meio diferente do ano passado, que tinha pop, rock, punk, rap e tal. Quiser dar um confere ou um remember, clique aqui . Diria que tá menos pesado nos aparelhos, nem tanto nas letras. Mais aleatório? O negócio é que foi o que veio na minha mente enquanto pensava deitadão, mó preguiça de sair da cama no domingão (23), e já que surgiu estes nomes, vão eles. Espero que goste. Se não, tudo bem. Como campo-grandense comum que sou, falar mal deste lugar é esporte de todos. Ser campo-grandense – nascido por acá o no - é só pra quem pode, sabe?! Perdão pe...

Há 40 anos, Vera já mostrava ser mais que uma questão de gênero

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  Tropecei em Vera por meio de algum vídeo curto de Instagram. Em minha defesa, no ano do lançamento do longa, eu tinha nove. De 1986, o longa dirigido por Sérgio Toledo completa 40 anos neste 2026. Imagina tratar sobre transexualidade naquela época, com a redemocratização ainda engatinhando. Para pessoas trans então… O longa de hora e meia mais ou menos provavelmente desagrade galera conservadora. Só por isso tem muito de atual.  Tem problema, não. Depois, tiver a fim, acha fácil no YouTube. Deixe o pré-conceito de lado e se ligue nessa sinopse lá da Wikipédia . “Inspirado na autobiografia A Queda para o Alto, de Anderson Herzer. O filme é uma dramatização da história da vida real de Anderson Herzer (interpretado por Ana Beatriz Nogueira), um homem trans brasileiro que tenta se encontrar morando em um internato em São Paulo, mas é vítima de muitos preconceitos que traumatizaram sua vida eternamente. O elenco secundário é composto por Aída Leiner, Norma Blum, Carlos Kroeber e ...