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Betânia está muito longe de deixar quem assiste em maus Lençóis

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Betânia, lançado em 2024, vem na esteira da alta qualidade técnica do recente cinema brasileiro. Creio ter contribuído a agradável surpresa de tela e som apresentados no Teatro Prosa do Sesc Horto. Foi onde assisti o longa de duas horas dirigido por Marcelo Botta. A captação do som (o apuro por exemplo no lavar de roupas em meio a água) tomadas longas de manifestações culturais maranhenses não me causariam tanto impacto se assistisse na minha telinha da sala de casa. Que bom ter ido. Não sei se é uma tendência, ou geralmente é assim e nunca percebi, as produções nacionais tem mesclado temas sociais com fotografias bacanas. No caso da história protagonizada por Diana Mattos, a Betânia, há momentos em que o longa dá a impressão de tons de documentário, quando filma-se as danças, entoa-se os coros, em meio à religião e ao folclore. Literalmente, é um Bumba Meu Boi que dá vontade de estar lá. Diana Mattos tem interpretação à altura do filme. Ela vive Betânia, que reluta em sair de sua alde...

Valor Sentimental é tudo isso mesmo? Não sei...

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Valor Sentimental é mais um da leva drama na acepção da palavra. Talvez o fato de desconhecer outras produções - pretendo assistir- de Joachim Trier (impossível não lembrar de Lars Von ao ouvir o sobrenome) influencie na avaliação. Como o longa norueguês está por aí, tenho pouco a dizer de diferente. Se quiser a seguir por aqui assim mesmo, tudo bem. Ser pai é ser culpa. Ou, culpado. Mais ou menos nessa linha que desenrola o longa de duas horas e pouco. Focado sobretudo nas irmãs Nora e Agnes, o filme às vezes tem ares de terapia. Nora, em interpretação bem boa de Renate Reinsve, guarda muita coisa dos tempos de criança, o que estoura em seu comportamento. O fato de ser atriz de teatro soa como rebeldia oculta ao pai. Um diretor de cinema conhecido que deixa claro ser pouco afeito às artes cênicas dos palcos. Quem interpreta Gustav Borg é Stellan Skarsgård, manda muito bem também. Pois bem, após a morte da mãe de Nora e Agnes, ele busca uma reaproximação, sobretudo com Nora. A quem con...

Dança da Cia do Pantanal martela, martela para ver se tira a pessoa desse Estado Fantasma

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  Motivos diversos me atravessaram depois de assistir o espetáculo de dança Estado Fantasma II. Deixa quieto… Nesse caso melhor ficar nesse estado. Até porque esta inércia foi um dos motivos inspiradores segundo Fernando Martins, da Cia de Dança do Pantanal. Aliás, após a exibição ele confirma que o Dois do Estado Fantasma é mais um chiste do que alguma continuação de verdade. Verídica, sim, é o livro A Queda do Céu, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, fundamental na criação do número que iniciou os contornos ainda na pandemia. Nesta noite de sexta-feira, no Teatro Prosa, do Sesc Horto, em Campão, a música e a iluminação aparecem com força durante o espetáculo que agrega, creio, nove pessoas dançarinas. Pode ser impressão minha, notei alguns elementos andróginos durante a linearidade da dança quebrada às vezes por performances individuais. E/ou coletivas. Como apontado no bate papo pós-dança, o trabalho na repetição dos movimentos aparece como uma das “obsessões” do grupo que se junto...

Difícil assistir Manas sem desembargar dor

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 T ou escutando Joy Division, depois vai vir Hearthless Bastards, New Order, Bowie, Portishead, Snuff do Slipknot… Sei, tem nada a ver com Manas. O filme dirigido por Marianna Brennand, que assisti há poucas semanas. Difícil… Comentei com uma colega também jornalista, que manja mais de cinema, e ela mandou uma corajosa “devia ir para o Oscar”. Com O Agente Secreto em clima de quase unanimidade, manter a opinião é louvável. Enrolei um pouco pra assistir o longa que se passa na Ilha de Marajó, no Pará. Queria assistir sozinho. Acho que acertei na decisão. “Marcielle, de 13 anos, sente que seu futuro está preso a um ciclo de violência e falta de oportunidades. Inspirada pela irmã que partiu, ela decide desafiar o destino das mulheres de sua família e comunidade, iniciando uma jornada de coragem para mudar sua própria história.” A sinopse é lá da Paris Filmes. De repente nem precisava, você deve saber do que se trata o filme. Em uma hora e quarenta minutos, Manas entrega o que se esper...

A Empregada é desses filmes que rola passar no mercado antes de entrar no cinema

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A Empregada é um bom entretenimento. Arrisco a dizer que é o melhor filme dirigido por Paul Feig. Baseado no livro homônimo de Freida McFadden (não li), The Housemaid é um thriller/suspense com ingredientes para dar (e tá dando) boa bilheteria no cinema. E eu nem sabia que Sydney Sweeney era famosa assim. Pois é, é que não vi as coisas em que ela participa. No papel da Millie, faz uma mulher que tem de parar em algum emprego para seguir em regime de liberdade condicional por algo que fez quando era adolescente. Nem sei se precisava contar a história do longa de pouco mais de duas horas. Bom, vamos lá. Aí ela vai pruma entrevista e consegue ser a empregada de um casal mais uma filha em que vive Nina. Esta sim, foi um dos motivos de eu desejar ver a produção estadunidense. Amanda Seyfried geralmente dá conta do recado. Sei que não é a das coisas preferidas da maioria, mas ainda elenco Lovelace como a melhor atuação dela. Então, ela é a patroa de A Empregada, e tem um temperamento sinistr...

Só escutei por agora, (en)role o soundsystem do Jhayam aí

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Como a maioria deve estar – e tenho nada contra, diga-se de passagem – em clima de ir para a rua e curtir nesta terça de Carnaval, dica “tranquila” em modo Só Escutei Agora. O som do Jhayam é dub, sound system, reggae, e vai por aí. Dá pra dançar sem se alienar. A primeira vez que escutei ele foi em novembro do ano passado. Tropecei por meio do  "Prince Fatty Presents:The Rolê of Monkey Man" . De 2018, álbum da dupla pelo selo estadunidense Delicious Vinyl. O petardo conta ainda com presenças de uma pá de gente. Que com o tempo desejo conhecer, escutar mais. Faixas bacanas como Assento Reservado, Diga-me, Soul Powah, e Fortalecendo a Cultura em que manda: “Escute, meu rapaz, eu tenho algo a lhe dizer Conhecer si mesmo é o que há, manifeste o amor que há em você A todo momento fortalecendo a cultura Pode chegar mais pra ver Sistema de som que faz tremer as estruturas Chega mais pra conferir” Pelo que li rapidinho, o paulista começou pra valer em 2008, lá pelos seus vinte anos ...

Dica de HQ, Samsara arrisca uma Campo Grande em tons cyberpunk/ancestral

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Caso queira ficar um tempinho fora do clima da folia carnavalesca, eis uma dica ficção científica em quadrinhos, com Campo Grande de pano de fundo, Momento só li agora – na real, no começo do ano - Samsara vai do cyberpunk à ancestralidade indígena com toques de Pantanal. Um bem bolado de Anderson Barboza, a HQ se passa lá por 2088. A obra tem umas de opor a inevitável automatização e controle por meio da tecnologia, tecnocracia, diante da necessidade de se reconectar com a natureza, e seres, e coisas que fazem falta já nos dias de hoje: apreço pela terra, pela Terra. Dividida em capítulos, a fita em quadrinhos tem como personagem principal, o Felipe. Jovem que se vira como pode em uma Campão onde se paga até para respirar. Ele entra numas paradas meio Neo da Matrix, meio mundos paralelos. Tem como um dos parças o Yago, que o ajuda nas conexões e nos rolês que meio torto, meio sem eles imaginarem, visam subverter a ordem vigente. Não que Felipe tenha pensado muito nisso antes, mas, dep...