Betânia está muito longe de deixar quem assiste em maus Lençóis

Betânia, lançado em 2024, vem na esteira da alta qualidade técnica do recente cinema brasileiro. Creio ter contribuído a agradável surpresa de tela e som apresentados no Teatro Prosa do Sesc Horto. Foi onde assisti o longa de duas horas dirigido por Marcelo Botta.

A captação do som (o apuro por exemplo no lavar de roupas em meio a água) tomadas longas de manifestações culturais maranhenses não me causariam tanto impacto se assistisse na minha telinha da sala de casa. Que bom ter ido.

Não sei se é uma tendência, ou geralmente é assim e nunca percebi, as produções nacionais tem mesclado temas sociais com fotografias bacanas.

No caso da história protagonizada por Diana Mattos, a Betânia, há momentos em que o longa dá a impressão de tons de documentário, quando filma-se as danças, entoa-se os coros, em meio à religião e ao folclore. Literalmente, é um Bumba Meu Boi que dá vontade de estar lá.

Diana Mattos tem interpretação à altura do filme. Ela vive Betânia, que reluta em sair de sua aldeia, mas as filhas querem que ela saia do isolamento, acentuada após a morte do marido. 

Do alto dos seus 65 anos, tenta meio que teimosamente seguir sua vida cuja casa falta luz de noite se deixar ligada a geladeira. Junto com seu neto, o garoto Antônio Filho (atuação bem legal de Ulysses Azevedo), acaba por deixar a casa e suas memórias. A vida é fogo.

Filmado e ambientado nos Lençóis Maranhenses, o longa é permeado de bom humor. Como se fora um refresco para tratar de temas como religião, educação, conflito de gerações, e, preocupação ambiental. Lixo, plástico, despejado nos oceanos acabam desembarcando por lá.

A parte final, quadriciclos em modo do bem de “The Lost Boys” (sei lá, lembrei desse filme de 1987), diverte capitaneada por Xambim (Vitão Santiago). Lá vão os caras rumo à tentativa de salvar os perdidos entre as dunas. Faz a direção e roteiro de Botta lembrar que cinema nacional sabe, sim, fazer uma boa sequência de ação.

O elenco, cujo núcleo feminino dá as cartas, deixa quem assiste à vontade. Atuações bem legais de Nádia de Cássia (Vitória), Rosa jara (Jucélia), e Michelle Cabral (Irineusa), entre outras. Caçula Rodrigues (Tonhão), faz o guia turístico poliglota especialista em “maranhês” e também protagoniza instantes hilários.

O principal desafio de Betãnia, o filme, acho, foi equilibrar o drama familiar, o recomeço, as cicatrizes da vida, a crítica social-ecológica, com uma certa leveza – traço notadamente nordestino – em meio ao orgulhoso pano de fundo Maranhão raiz.

Ah, uma última coisa (vou parar por aqui): a trilha sonora é capítulo à parte. Canções tradicionais das festas populares locais caminham com o brega, com versões de hits chicletes dos anos 80/90 como Carelles Whisper, ou Melo de Voyage. Afinal, Maranhão, parece e ainda bem, é muito reggae. Segundos de Dream Land, clássico com Bunny Waller, é apelação.

É isso. Betânia, sinceridade, foi (repito) uma grata surpresa. Bem como (repito II), a qualidade de imagem e som na exibição lá no Sesc Horto, quarta-feira. Fica a dica.

Se der, me apoie. Pode ser com propostas, sugestões e tal.

Se acha que o blog merece um Pix, beleza.

A chave é a mesma do e-mail – blogdokisho2@gmail.com

Se não tem como, ou não tá a fim, de boa.

Abraço

Nas redes, estou em

Instagram – https://www.instagram.com/lucianokisho77/

X/Twitter - @KishoShakihama

Threads – lucianokisho77

Bluesky - https://bsky.app/profile/lucianokisho.bsky.social


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Aluno com a camisa assinada pelos amigos é bem fim de ano

Dez músicas para Campo Grande no modo aleatório

Se gosta de Ney Matogrosso, bom ir logo ao cinema