Valor Sentimental é tudo isso mesmo? Não sei...
Como o longa norueguês está por aí, tenho pouco a dizer de diferente. Se quiser a seguir por aqui assim mesmo, tudo bem.
Ser pai é ser culpa. Ou, culpado. Mais ou menos nessa linha que desenrola o longa de duas horas e pouco. Focado sobretudo nas irmãs Nora e Agnes, o filme às vezes tem ares de terapia.
Nora, em interpretação bem boa de Renate Reinsve, guarda muita coisa dos tempos de criança, o que estoura em seu comportamento. O fato de ser atriz de teatro soa como rebeldia oculta ao pai. Um diretor de cinema conhecido que deixa claro ser pouco afeito às artes cênicas dos palcos.
Quem interpreta Gustav Borg é Stellan Skarsgård, manda muito bem também. Pois bem, após a morte da mãe de Nora e Agnes, ele busca uma reaproximação, sobretudo com Nora. A quem convida para protagonizar um filme a ser dirigido por ele.
Como a filha recusa o papel, entra em cena Ellen Fanning. Uma jovem atriz hollywoodiana, Rachel, que aceita o desafio e quando vê, está sendo sugada ao buraco negro das relações mal resolvidas do trio.
Agnes, vivida por Inga Ibsdotter Lilleaas, assim como o trio vai de boa na atuação. Ela funciona aparentemente como o porto seguro em meio aos conflitos familiares. Casada, e com um filho, cabe a ela esmiuçar e tentar compreender os motivos do pai, digamos, ser distante de um modelo afetivo durante a criação dela e de Nora.
Valor Sentimental começa com uma redação sobre a casa construída e que passou por gerações e horas alegres e tristes.
Com roteiro de Trier e Eskil Vogt, o longa faz sutil alerta ao avanço da intolerância/nazismo, e critica um pouquinho mais abertamente as exigências das plataformas de streaming e redes sociais para aceitação e seu envelopamento das obras culturais.
A trilha sonora acompanha o humor da trama. Vai de um jazz de Tracktribe, um I’m Alive de Johnny Thunder, até New Order, Roxy Music... Assim como a valorização do silêncio em certos momentos e da lembrança bucólica do som ao redor da casa. A reparar o barulhinho no piar dos passarinhos em mais de um momento ou seria em momentos pra dizer algo específico.
Na filmagem, tem gente que viu traços de Persona (aliás, esse ano completa seis décadas desse filmaço), de Ingmar Bergman, e outras referências a grandes nomes do cinema. Confesso que fiquei meio assim, pode ser.
Fato é que Affeksjonsverdi (no título original em norueguês), mistura drama familiar em meio a questões sobre situações atuais no fazer a sétima arte em dias de hoje. Creio que isso, mais algumas sacadas interessantes em diversos aspectos técnicos e de roteiro, faz dele uma produção alvo de elogios e indicações e prêmios.
Posso estar errado ou não ter entendido bem, e com o passar do tempo rever o conceito. Considero que vale assistir para tirar suas próprias conclusões, mas, fica de fora das coisas mais mais legais que assisti nos últimos meses.
É isso.
Se der, me apoie. Pode ser com propostas, sugestões e tal.
Se acha que o blog merece um Pix, beleza.
A chave é a mesma do e-mail – blogdokisho2@gmail.com
Se não tem como, ou não tá a fim, de boa.
Abraço.
Nas redes, estou em
Instagram – https://www.instagram.com/
X/Twitter - @KishoShakihama
Threads – lucianokisho77

Comentários
Postar um comentário