Difícil assistir Manas sem desembargar dor
Tou escutando Joy Division, depois vai vir Hearthless Bastards, New Order, Bowie, Portishead, Snuff do Slipknot… Sei, tem nada a ver com Manas. O filme dirigido por Marianna Brennand, que assisti há poucas semanas. Difícil…
Comentei com uma colega também jornalista, que manja mais de cinema, e ela mandou uma corajosa “devia ir para o Oscar”. Com O Agente Secreto em clima de quase unanimidade, manter a opinião é louvável.
Enrolei um pouco pra assistir o longa que se passa na Ilha de Marajó, no Pará. Queria assistir sozinho. Acho que acertei na decisão.
“Marcielle, de 13 anos, sente que seu futuro está preso a um ciclo de violência e falta de oportunidades. Inspirada pela irmã que partiu, ela decide desafiar o destino das mulheres de sua família e comunidade, iniciando uma jornada de coragem para mudar sua própria história.” A sinopse é lá da Paris Filmes. De repente nem precisava, você deve saber do que se trata o filme.
Em uma hora e quarenta minutos, Manas entrega o que se espera. Com muita sensibilidade, o longa cria uma atmosfera que se mostra infantil de início. E se esvai de modo “é assim mesmo, aqui, minha filha”.
O roteiro, a história, a direção parecem iluminar cada canto escuro de toda a engrenagem que parece um ciclo eterno. Ou, o inverso. Apaga a luz da esperança, da alegria.
A falha na proteção em nível da Justiça, a dependência emocional e financeira, a religião usada para embriagar a alma e combater qualquer ato que possa “prejudicar” a família. Aceita, e vai.
A falta de perspectiva caminha lado a lado desde pequenas. Marcielle, papel interpretado com força por Jamilli Correa, faz o que pode. Com 13, poderia ser 12 (captou?), suas ações são de uma menina. Que gosta de brincar, nadar, dançar, e tá tudo bem. Era para ser. Não sair para caçar…
Rômulo Braga está bravamente odiável na pele do pai, Marcílio. Aliás, o elenco como um todo se mostra bem entrosado. Seja no silêncio da floresta, ao ritmo do brega paraense, ou nos diálogos (geralmente de poucas palavras, pois, falar o quê?!). A participação de Dira Paes é quase como um selo de que é cinema nacional do bom.
Em uma produção de forte participação das mulheres – à frente e por trás da câmera – gostei bastante de Fátima Macedo. Ela faz Danielle, a mãe de Marcielle, e transparece de forma melancólica as dores e o conformismo com a situação. Suas expressões me marcaram tanto ou mais que as atuações da dupla Jamille e Rômulo. Nível alto.
Além do som ou silêncio ao redor, contribui bastante para o filme o trabalho de fotografia de Pierre De Kerchove. Pena eu não ter assistido na tela grande. A sensação de pertencimento seria mais doída ainda.
O drama ganhou vários prêmios e foi bem recebido aqui e internacionalmente. Vi um vídeo em que Sean Penn - este parece que gostou tanto que virou produtor executivo - e Julia Roberts elogiam muito o longa. Não que Manas ou filmes brasileiros precisem de chancelas do exterior. Mas, sabe como é, né. Síndrome de vira-lata não se dilui de uma hora pra outra. O processo é longo.
É isso. Ficou confuso, né. Vai ver, até superficial. Manas dá para abordar uma pá de coisa. Quem sabe até apontar um “faltou uma coisinha aqui”, ou “soou meio exagerado ali”. E, ainda assim, é uma porrada.
Se der, me apoie. Pode ser com propostas, sugestões e tal.
Se acha que o blog merece um Pix, beleza.
A chave é a mesma do e-mail – blogdokisho2@gmail.com
Se não tem como, ou não tá a fim, de boa.
Abraço
Nas redes, estou em
Instagram – https://www.instagram.com/
X/Twitter - @KishoShakihama
Threads – lucianokisho77
Bluesky - https://bsky.app/profile/
Facebook – Luciano Shakihama


Comentários
Postar um comentário