Estou Pensando em Acabar com Tudo é “ame ou odeie ou não entendi direito”

Quarteto principal de elenco de Estou Pensando em Acabar com Tudo - divulgação
Só assisti agora, Estou Pensando em Acabar com Tudo é daqueles filmes “ame ou odeie ou não entendi direito ainda”. O fato do diretor Charlie Kaufman ser roteirista de Quero Ser John Malkovich (1999) e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004) funciona como espécie de aviso. Gosto destas produções – a segunda, uma das melhores atuações de Jim Carey.

Em I’m Thinking of Ending Things (título original, de 2020), nem sabia que tinha a recém oscarizada Jessie Buckley (Hamnet, não assisti). Ela é Lucy, a mulher que viaja com o namorado para conhecer a mãe e o pai dele que moram em um meio rural.

O namorado em questão é Jake, interpretado por Jesse Plemons. Pra variar não lembrava, ele foi o Todd em Breaking Bad (2012). Aliás, personagem,cabuloso na série né.

Durante a viagem, no carro, um frio de lascar, o casal conversa em tom aleatório. Aliás,Kaufman aposta muito em diálogos. Se prefere mais ação, melhor pensar duas vezes. Aliás, pensamentos brotam da cabeça de Lucy. Ela é quem rumina volte e meia o mantra “tudo acaba agora.” Tou mandando aqui pois creio que tu já viste o longa de duas horas e mais uns minutinhos. Desconsidero ser spoiler ainda mais porque aparece em teaser, trailer e tal.

Na fazenda, entra em cena a mãe e o pai de Jake. Se eu soubesse que tinha Toni Collette no cast talvez teria visto antes. Fã desde quando a australiana apareceu em Pequena Miss Sunshine (2006), foi mal não achei tão grande coisa O Sexto Sentido, mas me interessei em ver Mickey 17. Impressionante como tem força a sua atuação, adivinha, como mãe.

O quarteto principal de Tudo Acaba Agora – curti mais esse título - vem ainda com David Thewlis, que vai bem também de pai. Pouco se parece com Remus Lupin, lá da franquia Harry Potter, o que é ponto positivo ao ator britânico.

I’m Thinking of Ending Things é baseado em livro do canadense Iain Reid. Pelo que andei pinçando sobre o longa, Kaufman deu umas boas mexidas, mas não chegam a desfigurar o escrito.

Só lendo pra saber… É que alguns defendem que é bom inteirar-se da produção que deu origem à produção estadunidense. Antes de assistir o filme. Então, agora já foi… Quiser me dar o book, fique à vontade.

Boa parte do longa se passa na casa de campo. De hora em hora, Lucy avisa que precisar voltar para a cidade por causa do seu trabalho. Em um esquema meio que “ninguém sai, ninguém sai”, à la conto de Luís Fernando Veríssimo, o longa parece tomar rumo de thriller mulher raptada e tal.

Como se fora pegadinha, seria demais de previsível tratando-se de Kaufman. Uma série de comportamentos estranhos da família começa a enervar Lucy. E, mesmo assim, em alguns momentos ela se compadece ou tenta compreender.

Dali para frente, o divisor de águas do filme. Os personagens e as situações são realmente o que aparentam? As pegadas psicológica e surreal guiarão o casal em uma espiral que até me remeteu a David Lynch. Sem comparações das obras, por favor.

As memórias de Jake quando garoto/jovem são revisitadas de forma que navega entre o desconfortável, o bizarro, e, ao final, talvez seja tudo coisa da sua cabeça.

Você que se vire, o roteiro opta por confundir mais do que explicar e as cenas a encerrar Estou Pensando em Acabar com Tudo. Se pá tem a intenção de deixar em aberto. Ou, agora sem spoiler, depois que vi no YouTube – esqueci o nome do canal – realmente entendi os motivos de muita gente ter dado mais que um joinha para a direção de Kaufman, e as atuações de Buckley, Plemons, Collette, Thewlis. De boa, coadjuvantes do elenco seguram bem a onda.

É isso, pensando bem, fica a dica se gosta de filme meio cabeça ou que “entorta” um pouco as ideias.

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