A vó, o neto e seus parças, Kasa Branca abriga dica bacana de filme
Ele tem dois amigos, e a direção de Luciano Vidigal guia o trio pelo Rio de Janeiro. Se imagina que o longa lançado no circuito em 2025 é apenas mais um em que aborda o tratamento dado às pessoas idosas no Brasil. É isso também. Porém, longe de ser “apenas” isso.
Prato cheio que faz da cidade carioca um espelho da periferia brasileira. Principalmente das mazelas que afligem a população pobre e negra.
A trilha sonora de Fernando Aranha e Guga Bruno é muito boa. Já disse antes, das coisas que espantam minha preguiça e cansaço de topar esses programas após dia de serviço é assistir em tela grande e som sempre bem equalizado do Teatro Prosa, no Sesc Horto. Além, óbvio, de ser de grátis.
Elementos africanos de fundo e na superfície, como o berimbau, deixam claro que Vidigal, Aranha, e Guga, fazem zero questão de buscar uma “média”.
No morro, no asfalto, no hospital, são apresentados os sonhos da juventude, os perrengues, o jeito de ser que, quando não invisibilizado, geralmente sofre tratamento caricatural e preconceituoso.
A alegria e a tristeza que caminham lado a lado, a violência, são interpretados em situações que Dé e os parças Adrianim (Diego Francisco), e Martins (Ramon Francisco), enfrentam com as ferramentas e a esperteza que tem nas mãos.
Kasa Branca capricha também na fotografia – direção de Arthur Sherman - e o trilho suburbano alude à condução da história. Almerinda é paciente, motivo, e testemunha do cotidiano dos jovens. Sei lá, lembrei de Um Morto Muito Louco. Coisa da minha cabeça, vai ver.
O longa nacional vem com pitadas de comédia, romance – conta com boa contribuição de Gi Fernandes (como Talita), e participação do rapper L7nnon.
Vai bem também Roberta Rodrigues, que interpreta Neide, mãe de Adrianim. Babu Santana faz o pai de Dé.
Mas é Big Jaum o protagonista e dá muito a conta do recado. A direção de Luciano Vidigal deixa o trio bem à vontade e eles correspondem.
A história e a irmandade de Dé, Adrianim e Martins é tocada em uma crescente sobreposta nas necessidades e soluções apontadas em cenas seja de diversão (a jacuzzi, o rolê de moto), ou pra ajudar o amigo (o corre na farmácia é uma delas).
Presente ou não, Almerinda acompanha quase sempre em marcante silêncio as situações, estilo aquele tiozinho internado do Breaking Bad, só que uma versão do bem.
E o neto que tem pai e mãe ausentes a mostrar uma maturidade na parte final, seja no roteiro como na atuação.
Ao subir os créditos, pensei: “é... que bom que vim assistir, valeu a pena”.
Se já assistiu, o que achou do desfecho?, é já lá na beira do mar. Libertação? Foi-se? Outra coisa?
É isso, fica a dica. Se curte cinema nacional, Kasa Branca é digno representante.


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