Devoradores de Estrelas não é de outro mundo mas vale a pena
Sei lá porquê encanei de assistir Devoradores de Estrelas. Talvez devido a uns cortes criticando o filme, e/ou algum vídeo curto falando bem. Vai ver apenas não queria pensar muito. Nem sabia que era com o Ryan Gosling. Sério. Tampouco que havia participação valiosa de Sandra Hüller. Aliás, se soubesse…
Project Hail Mary (título original, Projeto Ave Maria), pode ser encarado de várias maneiras.
Uns lembram de Interestelar. Talvez. Diria que o filme lançado este ano dirigido por Phil Lord e Chris Miller é mais ficção científica na acepção da palavra.
Tem ao menos um detalhe em comum: fazem jus ao termo longa-metragem. A produção baseada em livro homônimo de Andy Weir (autor de Perdido em Marte, que também foi parar na tela) tem umas duas horas e meia de duração.
Outros abordam o lado mais psicológico, social da coisa. Solidão, perda de memória, amizade, sensação de pertencimento, aceitar o diferente, e por aí vai.
Resumidamente, Ryan interpreta o professor de ciências Ryland Grace. Um cara crânio, porém, sem grandes feitos na vida, baixa estima lá em cima, e com carreira impactada por ter opiniões bem diferentes ao pensamento de grandes nomes da biologia e tal.
Enquanto toca seu cotidiano ensinando e divertindo seus alunos na escola, aparece Eva Stratti, na pele de Hüller. Como escrevi acima, se soubesse que tinha ela, a motivação de assistir esta produção seria outra.
Quem gostou de Anatomia de uma Queda (mais um textado, quiser ler clique aqui) sabe. Sandra dirige o projeto Hail Mary, se viu, verá, entenderá a ênfase em Ave Maria, e convence o profe a encarar uma viagem a bordo de nave espacial.
Opa, espera que eu pulei uma parte. O filme começa com Grace deitado em uma maca dentro da nave sem lembrar bulhufas. “Eu sou inteligente?”, se pergunta à certa altura. O remember caminha durante toda a trama e, vai por mim, justifica o longa ser tão longa.
Como o pitaco aqui perdeu certa linearidade, sobre a minha sinopse rasa acrescento que o objetivo do projeto é evitar um processo que está “apagando” o Sol. Se rolar isso, em menos de 50 anos, boa parte da população da Terra vai sofrer com os impactos e passar fome, por exemplo. Eva, bem pé no chão, defende que a parte não atingida vai recusar ajudar quem precisará. Precisa ela, né?!
Sem dar muito spoiler – menos que o trailer, garanto- Devoradores funciona como bom entretenimento. Só, no espaço, Grace tromba com alienígena que, assim como ele, está em expedição para salvar seu planeta. O fato de Rocky não ter rosto é boa sacada. A relação entre eles merece um abraço.
Paralelamente, à medida em que os fatos que antecedem à incursão do pacato professor em uma missão deste tamanho, o filme ganha peso. À parte os momentos engraçadinhos, explicita o jogo e a manipulação que desembocaram na ida de Grace nessa furada consciente. Afinal, são uns onze anos – se entendi bem - só para chegar no ponto marcado para coletar uma solução que salve o mundo. Sem previsão de volta.
Nesta parte do comportamento humano, a cena do karaokê – já devidamente viralizada – faz valer muito da produção.
Sandra Hüller, ops, Eva, interpretando Sign Of The Times é daqueles momentos Somos Instantes no cinema difícil de esquecer. Tipo, cena de Emma Watson ao som de Heroes (David Bowie) em As Vantagens de Ser Invisível (texto meu clique aqui) , ou Faye Wong dançando ao escutar California Dreamin (The Mamas e The Papas) em Chungking Express (também textei, clique aqui).
Sinceramente, com Hüller ficou bem melhor do que com o Harry Styles (na real, nem tenho em minhas playlist). Inclusive, tou escutando agora essa parte em videozinho que curti e salvei no Insta.
Aliás, a parte musical/som é bem eclética e contribui para Devoradores de Estrelas subir de patamar dos filmes comerciais. Tem desde Kris Kristofferson, Beatles, Scorpions, até Gracias A La Vida. Pois é, Mercedes Sosa na fita.
Daniel Pemberton assina a trilha que vem bem alinhada com o filme. A referência a Contatos Imediatos do Terceiro Grau, do Spielberg, é bem legal. Tudo bem, quem tem certa idade pode lembrar do brinquedo Genius, da Estrela.
Pensando bem, tem coisas bacanas. Mais do que imaginei. Ah, não posso esquecer, menção honrosa a James Ortiz, belo trabalho ao subir no ringue, ops, no set, como Rocky.
Deu, fica a dica.
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Tou na pindaíba.
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Abraço
Segue o trailer
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