O Último Azul navega contra aquela velha opinião formada sobre envelhecer

Cartaz do filme O Último Azul

O Último Azul traz como um dos chamarizes Rodrigo Santoro. Só pra avisar, ele não é a pessoa protagonista do filme dirigido por Gabriel Mascaro. E, tá tudo bem. O roteiro também é do pernambucano – eita que diretor por aquelas bandas está em alta, hein – que também assina dentre outras produções, a interessante Divino Amor (2019), além de Boi Neon (2015), e Doméstica (2012).

Sobre a ficção/drama, alvo do pitaco da vez, trata-se de um Brasil distópico, em que idosas e idosos vão para uma colônia quando atingem certa idade – perto dos 80. O programa federal de assentamento forçado tem entre os objetivos aumentar a produtividade dos jovens, que não precisam perder tempo em cuidar. Gente velha atrapalha a economia, né. Agora, o dinheirinho deles ninguém recusa...
Mascaro escolhe o norte do país para navegar no tema. Aí sim, a correnteza do longa traz sua personagem principal, Tereza, 77 anos. Ela tem uma filha, mas mora sozinha, trabalha e não tem problemas de saúde. Mesmo assim, chega a hora de curtir “os últimos anos de forma digna”, segundo a propaganda bonitinha do governo.
Interpretada por Denise Weinberg, a senhora tem vontade zero de ser alvo da “cata-velho”. Em conversa com a amiga um pouco mais nova que ela, Tereza diz ter desejos para realizar.

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Seguimos…
Disposta a resistir, Tereza vai em direção contrária ao curso imposto. Encara a jornada que, aí sim, topa com Rodrigo Santoro. Ele apresenta o caracol da baba azul e incita nela as primeiras fagulhas de uma liberdade desfraldada ao longo de quase hora e meia de filme. “Moço doido”, diz ela, em certa altura sobre Cadu, personagem de Santoro, que a leva de barco para outro povoado.
Com uma voz que transmite segurança, a personagem de Denise conduz o longa entre a lucidez e momentos de porralouquice mesmo. Que se dane a idade.
Talvez seja o ponto nevrálgico do roteiro de Mascaro e Tibério Azul que fez ganhar projeção mais internacional do que por aqui. Foi bem no Festival de Berlim, no de Guadalajara, e tal.
Sei lá, brasileiras e brasileiros ainda evitam muito tocar nesse assunto. No geral, acham que é coisa de velho. Ou, é apenas impressão.
Volto ao filme, em que Tereza tem o desejo de andar de avião e encontra um cara, o Ludemir (Adanilo), gente boa, mas gosta de um joguinho além da conta.
Adiante, a que não desiste nunca entra no caminho da fé de Roberta. Dona de um barco, belíssima atuação da cubana Miriam Socarrás, compõe uma bela química com Denise. “Yo soy bicho solto, ninguém me amarra”, fala mais ou menos assim, às gargalhadas, a latina que é conhecida por “freira” na população ribeirinha.
Deste modo, digamos que o terço final, a história desemboca na forte presença das duas e, sim, mais destacadamente de Tereza. A sequência no Peixe Dourado encerra qualquer dúvida – se é que tinha – sobre a força na atuação de Denise Weinberg.
Visualmente, o filme é belo também. Região amazônica com a sinuosidade do percurso das águas, e muito verde, as casas, palafitas, uma energia movida a açaí e companhia, é prato cheio para a fotografia na direção de Guillermo Garza .
Caprichada, a trilha de Memo Guerra ajuda na mini imersão ao norte do país. A jukebox traz sensações como Layse, Samaúma, Jambu Cósmico – bora de guitarrada - além de Reginaldo Rossi e Maria Bethânia.
E é isso. Falar mais pra quê?! Fica a dica.
Abraço


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