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Sol de Inverno é ‘fofo’. Talvez, nem tanto

 

Cartaz do filme Sol de Inverno,  Boku no Ohisama (僕の太陽), em inglês ficou My Sunshine

Sol de Inverno é daqueles filmes tipo sensíveis (?). Li uma resenha em que a impressão no geral, após exibição na programação itinerante da 48ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2024, foi de que ele é “fofo”.

Não chegaria a tanto. Assisti sábado passado (3), na plataforma Sesc Digital. Em uma hora e meia, o diretor japonês Hiroshi Okuyama faz visualmente um belo trabalho. 

O título original, Boku no Ohisama (僕の太陽), em inglês ficou My Sunshine, e tem a ver com música da dupla Humbert Humbert. Aliás, a trilha composta por Ryosei Sato é ponto positivo.

A coprodução Japão-França tem como personagem principal um menino tímido, introspectivo – talvez por causa de uma gagueira – e não mostra muito apreço aos esportes dirigido aos garotos na escola, como beisebol e hóquei no gelo.

No inverno, Takuya (Keitatsu Koshiyama), para para assistir as meninas na aula de patinação artística. Mais de uma vez. Principalmente pelas performances de Sakura (Kiara Nakanishi). Inicialmente ela não tava muito a fim de patinar – as aulas são pagas – e ia mais por um desejo da mãe.

Sakura e as demais são ensinadas pelo professor Arakawa (Sosuke Ikematsu), que chega à pequena cidade depois de sair de Tóquio.

Ano Novo, perrengue de sempre

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O filme gira em torno do trio. O sensei se sensibiliza com o garoto e começa a ensinar ele após as aulas programadas. A relação deles evolui assim como a técnica de Takuya na patinação. A ponto do professor sugerir para o aluno e a Sakura participarem de um torneio de duplas.

A maior parte de Sol de Inverno passa sem nenhuma tensão aparente. Tudo é muito sutil – às vezes um quê de carregado quando familiares entram em cena - e você fica, assim, entre o admirar das belas imagens da fotografia que ilustra as passagens das estações, planos geralmente abertos, como do espaço da patinação – às vezes com mais luz do sol, às vezes menos - da dedicação dos três, e tal. 

Perdão do trocadilho, o passar dos treinos serve para quebrar o gelo entre as três pessoas, principalmente do lado de Sakura. A sequência em que ensaiam a coreografia em local que há um lago congelado ficou bonita e pode até te dar um quentinho no coração.

Mas, como diria meu pai, um nipo-okinawano, “não pode ficar muito feliz porque depois fica triste”. Sinceramente, até hoje não entendi o que ele quer dizer exatamente. Mas, lembrei dele, instante aleatório da vez.

O terço final da história talvez é o que destaca o longa. Para o bem e para o mal. Uns elogiaram no sentido de como Okuyama tratou o desenrolar da situação, de uma forma resignada, ou seria pacífica?

Outros criticaram o desfecho, argumentam o modo abrupto, sem desenvolver com mais profundidade a situação de cada personagem. Um deixa a vida me levar meio bonzinho demais, quem sabe.

Meu pitaco é a sensação que faltou algo. Ao mesmo tempo, o risco de cair em clichês existe. Por outro lado, a história caminhar quase sempre em uma batida mais calma pode te deixar meio ansioso.

Takuya (Keitatsu Koshiyama) é personagem principal de Sol de Inverno

Difícil contar o que acontece – eu tou naquela que você não assistiu - para Sol de Inverno fazer jus ao ser rotulado de drama e ter galgado espaço internacional a ponto de ser exibido em festivais como Cannes, por exemplo. No país de origem, Keitatsu Koshiyama, hoje com 16, foi eleito Melhor Estreante do Ano da Japan Academy Prize, principal prêmio do cinema nipônico.

Em termos de atuações, penso que foi ok. A performance de Kiara Nakanishi, 14 anos, é boa, ainda mais se lembrarmos a pouca idade da dupla em papéis que exigiam poucos diálogos e mais expressão corporal. Sosuke Ikematsu teve atuação elogiada na condição de coadjuvante.

O filme é ambientado em um tempo que não havia celular, nem internet. Prova disso são os recortes de revistas e jornais guardados pelo professor no tempo de seu auge como atleta. E, os carros e os aparelhos de fita K7. Curiosa essa “tendência” de apostar em histórias pré-internet e smartphones. O Agente Secreto, Mastermind, A Meia-Irmã Feia, Homem com H… pessoal tá indo de fatos de antes dos anos 2000, por quê? Ou, é só coincidência mesmo.

Então, fiquemos assim. Sol de Inverno parece que está disponível para alugar em outros streamings. No Sesc Digital tá de grátis. Não é um filmaço, mas, se te agrada um estilo mais calmo, e com pegada voltada para a infância quase adolescência, vale dar uma chance. Se fosse para dar nota, um 6, 6,5 tava de bom tamanho.

É isso.

Abraço


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