Não sei se faz seu gênero, A Meia-Irmã Feia é muito bom

Cartaz em inglês de A Meia-Irmã Feia

 No fim de 2025, assisti a um dos filmes mais divertidos deste passado recente. A Meia-Irmã Feia mistura terror, humor daquele jeito, boas atuações, uma ambientação de época – e intervenções “modernas” - em um pacote baseado em conto dos Irmãos Grimm.

Dirigido pela norueguesa Emilie Blichfeldt, o longa é baseado na Cinderela e vai meio na vibe de retratar o ponto de vista das “vilãs”. Deixei em aspas pois, sei lá, complicado vilanizar. O roteiro te dá um leque para apontar as pessoas más. Talvez a única personagem realmente lúcida é a irmã de Elvira. Atenção, na Mubi, é indicado para acima dos 18, beleza?!

 Ano Novo, perrengue de sempre

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Seguimos...

Elvira é quem sonha em casar com o príncipe. A interpretação de Lea Myren é acima da média. Alguns traçam um comparativo com o badalado The Substance. Olha, se considerar melhor do que a produção de Coralie Fargeat ficarei em cima do muro.

A alusão faz sentido pois em Den Stygge Stesøsteren – o título original de The Ugly Stepsister – a busca pela ideal e inatingível beleza física é um dos motes principais. Imagina, em pleno mil setecentos e bolinha recorrer a métodos invasivos para dar um jeito no corpo. Se hoje ainda é uma luta e nem sempre dá certo…

Posso estar um pouco sem noção, mas o fato de ser uma ficção me trouxe uma “leveza”. Emilie conduz com agilidade sua versão do conto de fadas e deixa no caminho seus recados de quanto ridículo era – ou é – a sociedade. Status, intriga, objetificação da mulher, machismo, e, fantasia. Sim, mesmo que em dose mínima, a magia aparece para ajudar a bela irmã Agnes. A atuação de Thea Sofie Loch Næss também é bacana. Evitar falar muito para não influenciar.

A Cinderela interpretada por Thea Sofie Loch Næss

O elenco no geral vai bem. Destaque para o núcleo feminino, óbvio. Mãe de Elvira, logo a madrasta, Rebekka vai fazer de tudo para emplacar o casamento real que salvará ela e suas filhas da pobreza. Ane Dahl Torp fecha o trio principal com competência.

No entanto, como evidencia o título, Elvira é a protagonista. Aceita os sacrifícios para competir com Agnes, joga baixo às vezes, como manda o figurino. Interessante é notar que, das poucas vezes que titubeia e pensa em se conformar, a mãe dá aquela injeção de ânimo e, segue o baile. As situações seguem volte e meia aos olhos da caçula Alma (Fio Fagerli), provavelmente a única ponta de ego no psicológico desse filme.

Os instantes de música eletrônica no longa caem muito bem. Dão o ar de non sense e, ao mesmo tempo, parece que lembra: “você tá rindo mas hoje em dia ainda acontece muita coisa parecida”.

A Meia-Irmã Feia foge do moralismo barato. As personagens, do jeito que podem, apresentam certo empoderamento, e ao mesmo tempo, o roteiro permanece perto da realidade em que foi ambientada o conto dos brothers Grimm. Quais eram as opções de vida para quem era mulher? Julgar é cômodo.

Merecia mais atenção. Na minha condição de reles adorador de filmes e afins, tinha de brigar por prêmios importantes. Vai ver, assim como o gênero, a realeza da sétima arte trata trabalhos deste tipo como coisa de plebeus. Ou plebeias.

É isso. Uma baita dica, mesmo se você achar mais tenso, drama, do que divertido. Vou entender. Do mesmo jeito, seguirá muito bom. Ou, no fim, só me empolguei mesmo. E, deixa assim.

O primeiro pitaco de 2026. Abraço, e bora lá.

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