Ao som de um bom jazz, filme The Mastermind é primeira dica do ano

 

Cartaz do filme The Mastermind

*Editado hoje (6), pois é a segunda. A Meia-Irmã Feia furou fila.


Na tentativa e erro de apontar The Mastermind como um bom filme, estou há uma semana volte e meia a pensar nele. Concorreu na Palma de Ouro, em Cannes, perdeu para o iraniano Foi Apenas Um Acidente.

Lançamento da Mubi, saiu em outubro de 2025, e dirigido pela Kelly Reichardt – também correu em Cannes e viu o prêmio ir para Kleber Mendonça Filho, de O Agente Secreto.

Na real é a primeira produção dela que assisto e, ao que pesquisei rapidão, tem moral, sobretudo nos EUA, circuito independente. Bobear vou caçar mais coisas dela. Tiver sugestões, mande aí.

Se não assistiu The Mastermind, resumidamente, a história parte da ideia de um cara que planeja roubar uns quadros de arte situados no museu da cidade, interior dos States, década de 70, à luz do dia. No caso, o homem é James Blaine Mooney, interpretado por Josh O’Connor (lembrete rápido, em Cannes deu Wagner Moura). Arranja uns comparsas tão amadores quanto ele e tal. Aviso, espere um filme sobre assalto, digamos, bem mais devagar do que aquelas perseguições e tiro, porrada e bombas. Tá mais para um drama com rompantes cômicos de Woody Allen, do que ação, ação mesmo.

Ele é casado, tem dois filhos, quebrado de grana, e não se encaixa muito no, sei lá, o American Way of Life da época. No desenrolar do filme, a impressão é a de que ele teve todas as chances de ser “alguém” na vida. Mas, não rolou. Um jantar de família evidencia isso. O pai, William Mooney, é uma figura respeitada da área, juiz ou promotor (agora me de um branco, mas é nesse naipe), vivido por Bill Camp, e é daqueles que gosta de jogar na cara a situação perrengue do filho.


Ano novo, pedido igual

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JB Mooney, personagem de Josh O'Connor em The Mastermind

Kelly Reichardt faz do assalto, e seus desdobramentos, um mergulho duro e sarcástico do ambiente vivido naquela época. Na tevê e no rádio pipocavam debates sobre a Guerra do Vietnã. Enquanto isso, longe dos grandes centros, a diretora usa e abusa de tons cinzas e áridos para exibir uma nada glamourosa face do país. Talvez uma alusão ao que estadunidenses passam neste momento. Não sei.

Na boa atuação de Josh O’Connor, Mastermind usa o figura para percorrer algumas partes do país e, assim, tocar em cicatrizes que até hoje devem habitar o imaginário do norte-americano. Puro achismo, tá?!
Meio que errante, meio que no desespero, “JB” se apresenta no decorrer do filme como um misto de querer sobreviver, mas sem muita certeza. Ou vontade. Oportunidades aparecem em seu caminho, entretanto, se ele vai se ajudar são outros trocentos.

Na sinopse, o personagem é tido como anti-herói. Às vezes sinto que banalizaram o termo. Por outro lado, eu tenho dificuldade de julgar JB Mooney. Sério, tem ocasiões que compadeço. Outras, principalmente uma perto do fim da história, em que ele conversa ao telefone com sua esposa, Terri Moore (Alana Haim). Um dos pontos altos do longa e da atuação de Josh O’Connor. Deu vontade de mandar ele tomar naquele lugar.

Li algo sobre a reduzida participação feminina na trama. Penso que a diretora fez isso justamente para demonstrar o quanto os homens podem se ferrar sem elas. Ou sem ouvi-las. Mas, é só minha impressão. Por outro lado, Alana Haim, quando acionada, aparece com competência. Mesmo se, em silêncio ensurdecedor.

Dos garotos que interpretam seus filhos, Jasper Thompson (Tommy Mooney) merece uma menção maior.

Tecnicamente, a ambientação da época ficou muito boa. Fotografia também.

Agora, boa mesmo é a trilha musical de Rob Mazurek. O jazz que roda durante todo o longa é ótimo. Provavelmente entra no pacote “olho artístico e imprevisibilidade jazzística, Kelly Reichardt”, lá da sinopse. Sem contar canções das décadas de 60, 70.
Abraço.



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