Uma noite de violões entre Tenebrosa, Dedicatórias e Patápio
Quinta-feira de feriado, paramos lá na UFMS. Não é beem aleatório, ano passado fomos em uma noite, lá no Glauce Rocha. Festival Internacional de Violão. O bacana de ir nesses barato – entrada de grátis – é, sei lá, parece que educa os ouvidos.
Sem comparar estilos, música clássica, chorinho, orquestra, recital de violão realmente não fazem parte do rodo musical cotidiano deste ouvinte generalista. Mas, sei lá, é tão bonito observar os dedilhados, expressões, o esforço, de pertinho.
Tudo bem, o auditório Luis Felipe Oliveira talvez não seja o mais ideal dos palcos mas, cadeira quebrada ou detalhezinhos ficam longe de comprometer a oportunidade. Sim, solto o, “quem não foi perdeu”.
A segunda noite de apresentações desta edição começou com a Orquestra de Violões de Campo Grande. Pelo que entendi, ficou um tempo parada, voltou e agora Anderson Francelino tá na direção. Foi bacana, com direito à composição própria “Tenebrosa” (quem esteve lá ou conhece o trabalho dos integrantes pega a referência), e participação de percussão que sabe levantar e sacudir a poeira.
Na sequência, talvez o mais diferente do costumeiramente consumo local. Até porquê, embora creio que o gênero – que é amplo – cresça na Cidade Morena, longe deu estar habituado.
Do Rio de Janeiro, Vicente Paschoal mandou um recital acompanhado de Dedicatórias. Comentário nada a ver bem de leigo mesmo, o jeito dele manejar o violão clássico lembrava às vezes baixista de banda porrada. Tipo o Trujillo, do Metallica. Sei, soa estranho – a ilação, não os dedilhados do violonista também compositor - mas é uma coisa boa, tá?!
Depois das apresentações, já no retorno para casa, pessoinha que foi comigo disse que foi a apresentação mais legal da noite. Por ser diferente das que assistimos geralmente. Opiniões diversas são boas para rever as suas. Eu achando que ele tava nervoso e, talvez, errou algumas coisas. Nada a ver.
Fecha a noite o motivo inicial que motivou o deslocamento da goma até o local ali perto do Lago do Amor (que alguns quilômetros antes contou com um pneu furado, fruto desses buracos sem fim). Eduardo Martinelli é meio selo de que a coisa vai ser no mínimo, satisfatória. No violão, ao lado de Brenner Rosales (no violino), em um agradável Duo.
Sem playback (tiradinha a la Martinelli é obrigatória), apresenta o trabalho em cima de obra de Patápio Silva. Meio óbvio, desconhecia a breve e prolífica carreira do compositor, músico, dos melhores flautistas, que morreu em 1907, aos 26 anos.
Ele informa: arranjos e composições de Patápio serviriam de esteio para muito material que molda e moldou a Música Popular Brasileira. Cara, só de vier a saber disso valeu bastante a noite.
Com viagens e apresentações Brasil e Europa afora, Martinelli e Brenner mostraram as suas versões para Polca, Idílio, Lourinha e Primeiro Amor. Esta última dá nome à produção da dupla lançada no começo deste ano e que, como valoriza Eduardo, tem tido bastante aceitação. Dá para reparar pelo roteiro de viagens.
Quiçá em comum nas três atrações, repertório menos festivo, mais melancólico, ou sério, ou triste. Sem concessões para “engajar”, como misturar regionais conhecidas. Dessa vez, sem chance para Mercedita. Amadurecimento do público? Ou opção artística? Tá tudo bem.
A sensação é ir para casa como se tivesse passado por uma espécie de Cerumin musical. Os ouvidos parecem até escutar melhor músicas e som ao redor.
Ah, e agradecer ao Marcos (acho que é esse o nome) um dos que fazem a segurança lá daquela área da UFMS. Deu uma força monstra ao trocar o pneu e facilitou muito mesmo o retorno para o lar doce lar. Ainda tem gente boa neste mundo.
É isso, o Festival rola até dia 13, curiosamente outro feriado e não devido ao jogo da Copa. Pesquisa sobre o evento, de repente te anima.
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* Editado às 8h52 de 7 de junho
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