Seu Pereira e Coletivo 401 é dica Só Escutei Agora da vez


Olha, em uma parada multiversa – umas três décadas, no tempo do SIT (Sistema Integrado de Transporte) -, talvez formasse uma banda, a 085, ou 070. Mentira, sei tocar nada e minha voz/dicção é caso grave. Peguei carona nesse ponto sem cobertura para dar um vale-transporte, vale dica Só Escutei Agora.

Seu Pereira e Coletivo 401 me foi apresentado por uma amiga. Indicação dela geralmente dá bom. Sorte a minha, azar do algoritmo que fica todo bagunçado. Divertido.

Momento copia e cola, o grupo que vem lotado de João Pessoa/PB, surgiu em 2009 por meio de amigos que tinham um transporte coletivo em comum, o 401, que cruza a capital paraibana até o bairro Altiplano. Fazem parte, “Jonathas Pereira Falcão (vocal e guitarra), Chico Correa (guitarra), Thiago Sombra (baixo) e Victor Rama (bateria) na formação original. A banda também é acompanhada pelos músicas Daniel Lima (Trombone) e Felipe Gomes (Trompete).” Peguei lá do Spotify.

Eu Não Sou Boa Influência pra Você é o álbum que tropecei. De 2017, de repente, o mais conhecido. Os caras fazem uma mistura de ritmos que melhor deixar assim mesmo, sem rotular muito. 

Em reles impressão, tem um rock que lembra pitadas Facas Voadoras, letras meio também Os Impossíveis, e pegada brega, forŕó, xote, sopro de psicodelia e outras coisas bacanas que cairiam bem em versões de sons que o Projeto Kzulo desempenham em modo animar a moçada.

O grupo Seu Pereira mandou ano passado Obsoleto, e a parte instrumental tá bem interessante, também. Desde o Dia em Que Meu Bem Partiu, abre os trabalhos e, com ele, a identidade do Coletivo 401 segue lá.

Dito isso, volto para Otário – são bons para nomear as canções, né – e faz parte do trampo de 2017. Que é o que mais escutei.

Cotidiano e relacionamento são assuntos que predominam. Porém, longe de tiro na cabeça, mais para outro gole, outra dose, rir da desgraça. Como Love in Gotham City

“Eu sou um simples cidadão

Ela é uma gata massa

Bem no meio da curtição

Tu surges da fumaça

Libera a gente aí!

Vai resolver outra parada

Aqui tem tanta gente ruim

O Coringa, o Charada”


As capas dos álbuns têm cuidado destacado pela banda. Essa do Eu Não Sou Bom Influência, é assinada pelo ilustrador Shiko. A do Obsoleto também daria ou dá boa estampa de camiseta. O apuro artístico do grupo acompanha desde o início. “O ônibus foi tema para o quadrinista Mike Deodato Jr., que desenvolveu a capa do primeiro disco, homônimo”, cita nota no streaming musical. 

Aliás, Menina E.T. é exemplo de como mandam bem nos instrumentos de sopro, combinam mesmo. Instante nada a ver: aerofones, não conhecia, achei o termo pitoresco.

Deu, né. Fica a dica de um som de boa e de fora do eixo Rio-SP. Sei, clichê bagaraio, mas certo tipo de musicalidade/criatividade só o Nordeste tem. E, não acho ruim não.

Fique bem fique linda


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