Sobre obra de Clarice Lispector, O Livro dos Prazeres é o Só Assisti Agora da vez


 Baseado em obra de Clarice Lispector, filme O Livro dos Prazeres tem Simone Spoladore. E Simone Spoladore. Na direção de Marcela Lordy, a atriz protagoniza Lóri.

De 2021, é um drama/ficção com ares literários.

Nisso, o longa de uma hora e quarenta minutos nem poderia ser diferente.

“O coração tem que se apresentar

diante do Nada sozinho

e sozinho bater em silêncio

de uma taquicardia das trevas”

Começa assim, com os dizeres extraídos da obra de Clarice Lispector, lá dos anos 69. Não li, quem quiser enviar um link ou pdf ou livro, aceito e lerei com certeza. Sério.

Bom, li uma resenha na qual afirma que a pessoa compreenderá o filme mesmo sem conhecer a obra escrita. Menos mal. Eu ainda preferia ter lido antes.

Vamos de sinopse oficial. O LIVRO DOS PRAZERES acompanha Lóri, uma professora que vive a monotonia de uma rotina de trabalho e relacionamentos furtivos até que conhece Ulisses, um professor de filosofia argentino, egocêntrico e provocador. É com ele que Lóri aprende a amar enfrentando sua própria solidão. Uma jornada de investigação íntima, de cara a cara com a angústia e a dor, numa trajetória só possível pelo encontro, troca e aprendizado entre os dois.

Pois é, o professor em questão é o argentino Javier Drolas. O filme, creio, foi pensado em cima da personagem vivida por Spoladore. Ela não decepciona.

A história se passa no Rio de Janeiro e o longa melhora no decorrer dele. Dividido em três partes, se não engano, o roteiro planejado por Marela Lordy trabalha de modo a sufocar o emocional de Lóri. Problemas familiares, solidão, luto, patriarcado, maternidade, acho de grana também, e um passado meio oculto ajudam A Origem do Aprendizado a ganhar corpo.

Ainda mais que o professor de filosofia entra na cabeça dela de um jeito discutível, ao menos no começo. Nem é bom falar muito, vai que você ainda queira assistir.

Momento meio nada a ver, bem de relance me veio à cabeça o personagem de Willem Dafoe em O Anticristo (Von Trier, 2009). Calma, a produção que conta com Charlotte Gainsbourg são outros trocentos. Foi só um pensamento que veio à cabeça. He é bem mais sinistro. Deixemos assim. Não embarquemos o Ulisses em questão nessa Odisseia da minha cabeça.

Volto ao longa brasileiro/argentino, em que um dos desafios foi equilibrar a parte literária a que se propõe a história com uma certa contemporaneidade. Talvez os problemas não se diferem muito das vividas e/ou pensadas por Lispector.

A roupagem dada para Lóri/Spoladore mixa a briga de tantas pessoas consigo mesmas. Muita dor, certo isolamento, na tentativa do autodescobrimento. Libertação. Deve ser foda quando se chega nesse estágio, né. O famoso “pessoa resolvida”.

Saber passar isso em forma de arte – ou tentar, que seja – é louvável. Assim, me abstenho de criticar o quase “solo” de atuação em O Livro dos Prazeres, o filme.

Dito isso, meio assim, de lado, confesso o que mais gostei foi o som. O trampo e música original de Edson Secco ficaram bem legais, mesmo. Sem contar as faixas que me foram apresentadas. The Sun – Astma; Rios de Passar – Junio Barreto; Song to let go – YPU; e Muted shifting of Space – Big Brave. Ow, quisera eu encontrar uma playlist do filme. Ia deixar tocar fácil.

Basicamente, se curte filme nacional/sulamericano, problemas existenciais, e, claro, Simone Spoladore, fica a dica.

Ah, assisti de grátis na Sesc Digital. O filme fica no catálogo até 12 de julho, parece.

E, deu, tou cansado, no fim, acho que só queria escrever mesmo. Foi mal.

E vamos de Copa do Mundo… êêêê

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Tou na pindaíba.

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