Pai Mãe Irmã Irmão, não sei se vai gostar. Bem, fica a dica
New Jersey, Dublin e Paris parecem ser as locações em que o vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza se instala. Dividido em três partes, Adam Driver – não tem jeito, sempre vem Histórias de Um Casamento na mente – e Mayim Blalik (lembrei de The Big Bang Theory) abrem os trabalhos e a estrada. Interpretam Jeff e Emily, que visitarão o pai em clima mais de obrigação do que afeto. O Father em questão tem a voz inconfundível, pois trata-se de Tom Waits. Vive meio isoladão do perímetro urbano, sobretudo depois da morte da mulher.
Jarmusch parece sem pressa. Brindes insólitos, uma referência ao cinismo, e assim meio que desenrola o encontro breve da filha, filho, e o pai. E o que textei na primeira linha já tá valendo. Sutilmente, está lá uma crítica ao modo burguês-classe média média que quer ser portar como rica. Com discreto charme a la Luis Buñuel, e bela fotografia, o personagem de Tom Waits instiga e desnuda o pensamento medíocre da dupla.
Não espere ação, tensões afloradas, ou baixaria visual durante o percurso. Como se fosse a tal pausa para hidratação em jogo de Copa, o longa troca de lugar, e mantém as marcas como se gravadas em alto-relevo: pode ser alusão à liberdade os garotos sobre rodinhas a usar a rua de pista, mesquinharia/cobiça/aparência em forma de relógio, ou fluidez líquida por... marcas.
Hora do segundo ato, mãe. Só gente grande convidada para aquele chá na Irlanda. Cate Blanchett “feia” na pele de uma certinha filha Timothea, uma esperta e “falo o que a Mother espera escutar” Vicky Krieps, a Lilith (confesso, gosto muito desse nome, por ‘deus’), e a matriarca que prepara aquele quase real encontro real vivida por uma chique Charlotte Rampling. Apesar de morarem, ao que indica, não muito longe uma da outra, encontro mesmo é só de ano e ano.
Aqui, Jarmusch segue a aposta em “imagem é tudo”. Atenção nas aspas, hein?!
O silêncio entrega, e a força em costurar uma conversa em volta da mesa recheada de quitutes recheada por, “isso é da loja tal, com ‘lembrei que você gosta de comer tal coisa’” ditam o climão. Até alguém pedir água, ou o Uber. A persona encenada por Charlotte não enverga em nenhum instante, diferente das filhas que beiram um decadence avec elegance, sobretudo Lili.
A trilha sonora é perfeita para o que Father Mother almeja entregar. Tou ouvindo pela terceira vez, de boinha. Em sua maioria, intimista, melancólica, Jarmusch e Anika fazem aumentar o clima que paira sobre a dificuldade das relações em famílias quando na fase adulta.
Novamente, sei lá se vai curtir. Na real – atenção, não é IA nem AI, eu que gosto de falar assim – conheço pouco do trabalho do cineasta, Porém, noto certas características com Trem Mistério (Mistery Train), por exemplo.
Os gêmeos estirados no chão da antiga casa dos pais no terceiro e último ato são meio por aí. Ou, eu que viajei mesmo. Sister Brother em Paris condensa – eu acho – a intenção de Jarmusch com a obra. Se a última impressão é a que fica, Indya Moore e Luka Sabbat dão gotas de brilho para a obra.
Skye e Billy trazem o quentinho do coração que fica incubado durante as duas outras partes.
Se Father e Mother tem uma pessoa faltando, os irmãos revisitam memórias em um exercício de compreensão e maturidade ao mesmo tempo em que tentam entender por que seus pais eram, digamos, pouco convencionais. Confesso, em meio a tantos nomes conhecidos, Indya Moore foi quem mais me impactou positivamente e visualmente, e sem parecer fazer esforço (deve ser por isso).
Espero que minhas crias tenham essa compreensão quando eu me for. Caso não role, tudo bem, sou uma fraude, eu sei.
Caraca, mais uma vez, depois de escrever sobre, notei que o longa vale a pena. Jim Jarmusch e baita elenco entregam um Cavalo de Troia.
Acho que deu. Fica a dica, embora, sinceramente, não sei se gostará.
Se acha que o bloguinho merece um Pix, beleza.
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Tou na pindaíba.
Quiser só trocar ideia ou entrar em contato, bacana também.
Abraço



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