A Vizinha Perfeita mostra como raiva e medo podem bater na sua porta
A produção de A Vizinha Perfeita usa como outro chamariz o fato da maioria dos 96 minutos ser imagens de câmeras corporais da polícia do condado de Marion, lá da Flórida.
Óbvio, esses ingredientes ficam longe de ofuscar as temáticas que permeiam a boa direção de Geeta Gendbhir. Se não topou com o documentário, vai aí momento uma sinopse. “Imagens de câmeras policiais revelam como uma antiga briga de vizinhos acabou em morte nesta obra sobre medo, preconceito e a lei de legítima defesa nos EUA.”
Já ouviu o último trabalho da Tuyo? Escuto enquanto digito por aqui. Pra quem gosta tá legal. E daí, né, nada a ver. Deixa eu curtir cá no meu fonezinho de ouvido sem incomodar o vizinho.
Ajike Owens não teve a mesma sorte. Ela foi o resultado fatal de uma situação que, no primeiro instante, tinha mais ares de barraco de programa ruim popularesco de tevê. Em que a vilã é Susan Lorincz, vizinha ranzinza, mal humorada, que vive às turras com as crianças da vizinhança. Não suporta que elas brinquem perto da sua casa.
A direção da estadunidense destaca-se sobretudo em organizar os fatos de modo justamente a evitar que The Perfect Neighbor (título original) caia no coitadismo, no sensacionalismo. Como apontou uma resenha que li, abre mão de, por exemplo, depoimentos melosos dos filhos de AJ. Tudo bem, alguma parte rola aquele fundo instrumental triste estilo Fantástico pra tentar sensibilizar quem assiste.
No caso do documentário, é bem pouquinho e tampouco fazia necessário. O fato de lembrar que a morte da mãe, negra, de quatro filhos, não é ficção é motivo suficiente para voltar à realidade. Argumento nenhum, nem da tal Legítima Defesa Ampliada, poderia ser levada em conta para inocentar a solitária mulher branca armada. Ow, pelamor, muito muito longe de passar pano, o lance de Susan não ter familiar ou pessoas conhecidas em sua volta – nem mesmo quando e após detida – não pode passar batido.
Dito isso, o crime ocorreu há menos de três anos, chega a ser bizarro como se deu (ou dá) o processo judicial nesses casos. Sobretudo quando quem é acusado (a) não é “N”, como cita em uma fala Susan.
O luto dos recém órfãos Isaac, Israel, Afrika, e Titus é mostrado com pesar e resiliência. É doído o sentimento de culpa de um deles por achar que se não tivesse deixado o tablet na frente da casa da atiradora a mãe estaria viva.
Cara, zero importância a minha opinião, mas eu não tenho arma em casa. Entendeu, né?! Sei que de repente você defenda quem tenha, é bom ter porte, curso, de acordo com a lei e tal. Desde criança escutava que o caboclo que adquire arma uma hora vai querer usá-la.
No caso de A Vizinha Perfeita, perdão o lugar comum, era questão de tempo. Ah, outra coisa, o documentário alfineta diversas situações (preconceito, racismo, código penal), mas é inegável que a polícia subestimou as reclamações contra as “pirralhas” que perturbavam a “mala” da Susan. Lá como cá, as figuras da lei acham um porre atender este tipo de ocorrência. “Não dá em nada, é sempre assim”. Até que dá merda.
Olha, o longa é mais um daqueles que melhora em seu decorrer. Tipo, Geeta apresenta os personagens, vai meio que avisando, e, depois da tragédia, a história desgarra de vez da média dos documentários sem colocar os pés na apelação fácil para fisgar a audiência.
A edição feita com as imagens das câmeras coladas aos uniformes e as gravações para o 911 são de um cuidado que justifica a aceitação da crítica. Curadoria mesmo.
Ponto alto também é o comportamento de Susan nos depoimentos aos policiais. Justiça seja feita (eita, sem trocadilhos tá), certamente a escola norte-americana de filmes sobre julgamentos ajuda bastante nessas horas.
É isso. Parar por aqui, falei demais. Se gosta desse tipo de filme, a dica vale sim. Se não é muito afeito, pode ser também. O mundo anda com muita raiva e medo. Ou medo e raiva. Que coisa…
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