Só assisti agora, Sentidos do Amor é um água com açúcar ‘sério’

Perfect Sense (no Brasil, ficou título de gosto duvidoso Sentidos do Amor). É de 2011, pois é, 15 anos. Eu não sabia. E, soube depois de assistir o longa de hora e meia dirigido por David Mackenzie não tem a musiquinha do Cigarettes After Sex, que acompanhou um reels do Instagram, que me motivou a ver o romance/drama/ficção.

Outro motivo foi ter no elenco Ewan McGregor e Eva Green. E, mais um, dá para encontrar no YouTube, de grátis.

Bastante motivações e, no meio e fim, uma sensação maomeno.

O longa se passa em Glasgow, e narra a relação de Susan (Eva Green), uma epidemiologista cansada de se apaixonar por cretinos, e Michael (McGregor), chef de cozinha pegador, adepto a encontros fugazes. De fundo, uma doença que se espalha e vira epidemia. Difícil deixar de pensar na Covid – e pensar que os negacionistas resistiram e seguem mais fortes que o vírus – com a diferença de que a doença real viria uns dez anos depois.

Perfect Sense é narrado do começo ao fim, um texto que, sei lá, fica meio datado, ou lembra campanha de alguma coisa, uns clichês associados à imagens que ilustram didaticamente (sem necessidade, creio) os dilemas, conflitos e mazelas da sociedade/mundo afora.

Ao mesmo tempo que a doença progride exponencialmente – em dado momento pensei em filmes de zumbi (nada a ver, eu sei, lembrei do bom drama Invasão Zumbi) - Susan e Michael vão se conhecendo mais e, entre uma transa e outra, tentam se adaptar à vida com a epidemia que parece distante de ter cura.

Sim, pode citar as passagens tristes, vazias, seja na rua, no hospital, e no restaurante em que Michael trabalha. Li um comentário que apontou a mudança de cardápio da requintada cozinha é uma alusão ao que Mackenzie deseja mostrar do seu roteiro. Pode ser.

Talvez seja pessimista, fato é que senti falta de uma profundidade. E, foi mal aí, Eva Green manda bem no filme, porém, não consegui ver tanta química com o eterno figura de Trainspotting (ele tá bem bacana nesse filme), o gente boa Ewan McGregor. Tudo bem, sei que sou voto vencido. Nem nos momentos bons, quanto nos que rola discussão – ele fala umas bostas e ela fica de mal -, clichês básicos de drama/romance.

Entendo a ideia estilo Chico Buarque e Elza Soares – Façamos, vamos amar e tal - em momento o mundo vai pra merda mesmo então bora curtir. Visão otimista em patamar Joseph Climber. Mesmo que no fim tudo se apague e a escuridão tome conta, o afeto vai perecer na humanidade.

Sei lá, vai ver eu que estou na vibe serião demais. Descrente, quem sabe, meu anjo do perdão foi bom mas tá fraco, como narra/canta Pedro Paulo Soares Pereira.

E é isso. Perfect Sense é medíocre, de ser mediano. Nem muito ruim, nem bom. Ou eu que perdi ou estou perdendo o sentido? Quiçá, quiçá, quiçá...

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