Repertório da Orquestra Corumbaense de Viola Caipira agrada em cheio a plateia
Se bobear, o repertório da apresentação da Orquestra Corumbaense de Viola Caipira foi a coisa mais popular e conhecida que assisti no Teatro Prosa, desde quando comecei a ir nessas paradas de meio de semana, do Sesc. Quarta-feira (23), estávamos lá, diante de 10 violeiros e 5 violeiras (posso estar errado), escutando o projeto pela primeira vez.
Não é muito fácil caçar coisas sobre a orquestra que tem regência de Vladimir Benedito de Carvalho. Até queria trocar ideia com os músicos lá da Cidade Branca, fica pruma outra hora. Pelo que encontrei, o trabalho começou a ganhar força há uns 15 anos, daí um tempinho depois nasceu sob a batuta de uma ONG (Acaia Pantanal).
E, em 2014, rolou a parceria com o Sesc, e estão aí tocando em frente. De novo, tiver algo errado foi mal, eu corrijo de boa, só avisar.
Quarta-feira propriamente dita, a sensação foi de nostalgia. Sinceridade constrangedora, algumas músicas interpretadas - sucessos sertanejos e raiz – dificilmente ouvirei em dias qualquer. Chalana é uma, Comitiva Pantaneira é outra. Não, com quinze violas caipiras no embalo delas, é como se fosse uma bola de segurança para agradar a animada plateia. Apenas questão de gosto, mesmo.
Achei interessante o fato de ter vocais. Fui com a ideia de orquestra, certinha, só com os instrumentistas e tal. O trio se revezava com competência. Canções que me lembravam churrascão. E. tempo que não volta…
Elizeth Gonçalves tem um vozeirão, Kauã Viola se junta na experiência e manda bem também (puts, como não se emocionar com a música do caminhoneiro que não chega a ver o filho recém-nascido). E, José Sena detona, hein?! Rapaz, como é salutar desfrutar de um sertanejo/pantaneiro sem muletas, sem necessidade de esgoelar e parecer tudo igual.
O senhorzinho Weimar, mestre de cerimônia no palco, comanda o time e distribui simpatia. Ainda no começo, agradeceu os parentes, amigos, quem foi, e mandou “nós somos a Orquestra Corumbaense de Viola Caipira!”. Bacana!
Então, como textei no começo, a escolha das músicas foi na certeza, sem arriscar algo menos conhecido do pessoal. E, tá tudo bem. O importante é passar a mensagem, a experiência de tantos músicos a tocar ao mesmo tempo (imagino o trampo para acertar o volume do som, além de afinar a bagaça toda), e, sei lá, sentir saudade das boas lembranças.
A Majestade o Sabiá, Nova York, Boate Azul, Menino da Porteira (belíssima apresentação), Flor e o Beija-Flor (essa é da lista que dificilmente escutaria em condições “normais”), traz a impressão de festão. O quê pantaneiro de Tocando em Frente, além das já citadas, demarca e enfatiza o ser corumbaense.
Óbvio, não podia faltar Mercedita. Aliás, se ainda não é, a canção tinha de virar patrimônio do Estado, de alguma forma. É impressionante como mexe com o sul-mato-grossense, tanto o pantaneiro, como o da região sul, ou do bolsão, e por aí vai.
Ao fim, aplausos, assobios, e tal. Fui embora lembrando de muita coisa, de amizades que não voltam – maldita pandemia e seus negacionistas - de outras que esfarelaram, e todas tinham em comum – a reunião onde se bebia, conversava, risava, carneava, ao som desses modão e clássicos do sertanejo, e Pantanal afora.
É isso.
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