Só vi agora, antigo, Hardcore é filme de valentão, mas “com história”

 

Tropecei em Hardcore por indicação do Barcinski. De 1979, dirigido por Paul Schrader, dono de extensa filmografia, seja na direção, ou em roteiros. Talvez o mais marcante seja Taxi Driver, de Martin Scorsese, que saiu anos antes, 1976. Filmaço com Robert de Niro e companhia, além do caso da Jodie Foster e tal.

Parece que Schrader tentou ir meio nessa temática, com o longa que tem como protagonista George C. Scott. Aqui, o ator já era famoso, oscarizado e lá com suas 51, 52 primaveras – veio a falecer em 1999 – e fez as vezes de um pai de família conservador, religioso, que mora em uma cidadezinha e tal. Tudo muito bem, tudo muito normal, até que sua filha desaparece durante uma viagem escolar.

Como a polícia meio que dá de ombros, Jake VanDorn inicia uma busca por conta própria. Nessa aparece outro ator de cara conhecida. Peter Boyle é Andy Mast, um detetive/investigador que descobre a participação de Kristen VanDorn em um filme pornográfico de qualidade e origem duvidosas, para dizer o mínimo. Entretanto, também leva o desaparecimento pouco a sério.

O episódio desencadeia fortes sentimentos no senhor VanDorn. Ao melhor estilo pai valentão, a atuação de George Scott me lembrou um pouco caras como Charles Bronson, Liam Neeson, e por aí vai. Com a diferença de ser um ator melhor e a estrutura pensada para o personagem idem.

Paul Schrader capricha para evitar que o filme caia em uma espiral clichê desses filmes de porrada. A trilha sonora – um instrumental que avisa o espectador de que, “ó, algo está para acontecer”, as tomadas de câmera, cenários, iluminação, montatem e, até, certo humor o fazem a produção subir de prateleira. Atenção, convém dar um desconto pela época. Quatro décadas atrás, as coisas eram diferentes em vários aspectos. Se achar que estou contemporizando, ok, fazer o quê, né.

Sinceridade, a aparição de Season Hubley pesou muito em minha impressão. Creio que dificilmente assistirei mais coisas da atriz. Ao menos, de supetão, parece ter feito pouca questão de ser uma estrela ou artista mais conhecida, diferente dos já citados na resenha. E tá tudo bem. Pra variar, o que mais sai é que a mulher que interpreta Niki foi casada com Kurt Russel.

Volto a Hardcore, Niki é responsável por dar um tempero mais humano. Sem muita perspectiva, e se virando como pode, vira o fio que busca ligar o quadradão VanDorn ao submundo do sexo da época ambientado em becos da Califórnia. Tem a sabedoria adquirida pela experiência e dureza que acompanham seres marginalizados.

Momento meio nada a ver, sabe quem ela me recordou? Elisabeth Shue em Despedida em Las Vegas. Longa de 1995 que conta com Nicolas Cage, daqueles que considera um baita filme -rendeu indicação a melhor atriz – mas não assisto de novo. Tem umas cenas que não esqueço até hoje, Fora isso, Elisabeth Shue é muito muito né. Talvez Season Hubley teria uma carreira destacada. Sei lá, de repente não ficou a fim.

Ao mesmo tempo em que apresenta uma realidade (literalmente) nua, e crua, jamais imaginada pelo nosso “herói” interiorano, Niki é quem inicia o processo de tirar as camadas de dureza levantadas pelo pai linha dura calvinista, que é contra essa “obsessão por sexo, nas revistas, na tevê, tudo é sexo!”.

Se pá, essa é uma das diferenças do filme em comparação com a média interpretada por personagens machões, muito músculo, pouco cerébro.

Em dados momentos, questiona as convicções e não percebe que sua filha tem personalidade própria. Aliás, muitos citam o final como surpreendente. Confesso a dúvida, se é pela revelação, pelo destino que parece escrito por deus para cada pessoa ou outra coisa.

Deu, fica a dica.

Hardcore – No Submundo pode soar datado, de repente até “inocente” aos dias de hoje, mas se quiser matar saudade ou gosta de filmes com tiozão metido a valente com ação e tal, serve ao entretenimento. Arrisco a falar que até uma pipoca combina. Ou, não?!

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