Mulheres da Fronteira apresenta um MS a partir da cozinha
Só assisti agora, Mulheres da Fronteira parte da relação da culinária, da gastronomia, e delas fazer a conexão entre regiões marcantes de Mato Grosso do Sul. Dirigido e criado pelo chef Paulo Machado, tem pouco mais de uma hora, e, é prato cheio se você curte depoimentos, histórias, relatos de gente simples, ou nem tanto, que ajudam ou fazem conhecer mais sobre elas e sobre a mistura que é ser sul-mato-grossense.
Creio que saiu no ano passado. Tropecei e me atentei com mais atenção devido a um post que citava a Jadi Tamasiro. Pois é, meu caldo começa por aí. Sobá, cultura nipo-okinawana, Campo Grande. Neta de imigrantes, bateu e voltou do Sol Nascente. Filhos, melhor não tê-los, mas se não os temos, como sabê-los?
Daí, no filme, entremeado por trilha agradável – assinada na sua maior parte por Rodrigo Faleiros (eita, é o cara da Jennifer Magnética, né?!, massa), daquela que chama um café quente, tem mais seis mulheres. Fortes.
Difícil não se simpatizar com Dona Domingas e seu acento Paraguai Brasil, fruto de quem vive e mora de atravessar a rua e, cá Ponta Porã, lá, Pedro Juan. “Até hoje não sei fala o português direito”, diz a cozinheira de mão cheia que, modestamente, cita o diferencial da chipa guazú. A tal Revolução de 42, o Saci que fuma charuto...figura.
Dividido em partes, antes de cada uma rola um quê literário em narração poética de Lúcia Martins Coelho Barbosa. A ver e ouvir como forma de situar que, assim como o fazer comida pode ser forma de arte, em uma ideia de casar com as imagens feitas em Campão, Aquidauana, Miranda e Corumbá. O tom das cores e o brilho empregados nas imagens soam acertados. A produção tem na Frico Guimarães na direção fotográfica, e Bruno Lolácono, na de arte. E, Higor Maranho na fotografia still.
É em direção ao Pantanal Sul que Paulo Machado mais se debruça, em território que o equilíbrio e o oposto do modo de vida e das realidades se filmam visíveis. Se de um lado, Kalymaracaya relata as dificuldades, até na família (a mãe preferia que ela trabalhasse com contabilidade), a chef indígena tem espaço para lembrar a esse mundão de que aldear é preciso. Poké.
Mais um pouco, Taina Elias lembra dos perrengues da família e, porque não, de consequências que a força de vontade de seu pai provocaram e, por fim, segundo ela, a Comitiva vale a pena.
Do outro, Maria Adelaide, Lidia Leite, e Cristina Moreira fazem parte do espectro que, digamos, poderia servir de inspiração para donas de fazendas ou moradoras do bioma pantaneiro apresentado em estilo Benedito Ruy Barbosa (falecido em 7 de julho deste ano).
Entre memórias tipo “minha avó (ou mãe, ih, agora, não lembro), tinha quatro geladeiras”, até aprumar refeições para quem lida com o gado, ou poder pescar de linhada, elencar sabores e pratos pantaneiros – mó vontade de comer um Peixe a Urucum, pena que minha grana tá bem curta –, o longa tem o desafio de por à mesa audiovisual essa variedade de depoimentos e experiências.
Embora a produção penda mais para o Mar de Xaraés, Mulheres da Fronteira tem esse valor, de registro, de apresentar a gastronomia, talvez como uma entrada, até levar ao prato principal, que é conhecer e descobrir o Mato Grosso do Sul. Através da língua, ou línguas. Ah, detalhe, tem acompanhamento em libras.
E, deu. Se não, me estenderei demais. Apenas mais o adendo dos relatos/lembranças de Domingas, Jadi, Kalymaracaya, e de Taina foram meus preferidos. Novidade zero se você me conhece ou passa por aqui de vez em quando né.
Se acha que o bloguinho merece um Pix, beleza.
Chave é a mesma do e-mail – blogdokisho2@gmail.com
Tou na pindaíba.
Quiser só trocar ideia ou entrar em contato, bacana também.
Deixo link do YouTube, e o de uma publicação da Marie Claire, que peguei algumas informações e vale a pena dar uma lidinha.
Abraço
- A culinária das mulheres no território panraneiro




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