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Mostrando postagens de fevereiro, 2025

O Carnaval de Ainda Estou Aqui

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Independente do que houver domingo, a emoção está garantida. De repente é aquela corrente pra frente, parece que o Brasil inteiro deu a mão.  Aos olhos de milhões de cinéfilos formados em tempo recorde, Fernanda Torres já ganhou. Ainda Estou Aqui idem. Qualquer outro resultado que não seja levantar o troféu, digo, estatueta, no Trumpistão é marmelada. Esquema já sabido para o Brasil jamais ganhar. Se fosse em língua inglesa era outra coisa. Até parece que iam deixar uma produção feita fora da Europa levar. Argentina não conta, eles se acham europeus. Talvez precise avisar: os “argumentos” acima contêm ironia.  Reafirmo, Ainda Estou Aqui é baita filme, Eunice arrebenta, e tudo o mais. Já dei meu pitaco . Porém, caso o longa e a atual mais famosa atriz brasileira sejam preteridos pela tsl Academia, não será o fim do mundo. Palmas aos premiados. Vida que segue. O filme de Walter Salles já atingiu as expectativas com sobras. Deselegante malhar a produção vencedora, a atriz idem. ...

How to have Sex, quando dizer sim não é bem assim

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  How to have Sex é daqueles filmes que você sabe mais ou menos o que vai rolar. O lance é como a história vai se desenrolar. E, do meio pra frente, a produção dirigida pela jovem britânica Molly Manning Walker mostra a que veio. O filme é de 2023 e inicialmente começa com o trio de garotas inglesas que viaja para um paraíso turístico a fim de curtir baladas até não poder mais. Parênteses. Sem radicalismo ou pré-conceitos. O problema não são os programas, a diversão. Jovem tem de curtir mesmo, deixa a galera brincar, se divertir. A merda é quando aparecem pessoas babacas. Pra dizer o mínimo. E estragam o rolê de um jeito irremediável.   How to have Sex tem como protagonista Mia McKenna-Bruce. Ela interpreta Tara e é a virgem do trio. A escolha de seu nome foi acertada. Sua atuação convence nos dois extremos, na alegria e na surda tristeza.  Olha, o drama de uma hora e meia tem muitos momentos que soam como uma aula de como se ligar em limites. Sobretudo para garo...

Documentário sobre o punk rock BR na época da ditadura é pontapé

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  Um recorte da censura ao punk rock no Brasil. E é bem isso mesmo que se trata o documentário Não é Permitido lançado este ano.  Um pontapé. São vinte e poucos minutos com caras bem conhecidas da cena que tomou fôlego mesmo na década de 80. A produção tem entrevistas com integrantes dos Inocentes, Garotos Podres, Cólera e Ratos de Porão, entre outros.  Ao que parece, a ideia era deixar a moçada a vontade, prova disso eram os copos que acompanham parte dos relatos.  Não espere nada muito carregado, nem bombástico. Salvo engano, o movimento punk pegou o fim da ditadura, na figura do general Figueiredo.  Várias vezes bem humorada, os entrevistados lembram que a polícia nem sabiam o motivo desses elementos andarem de cabelo moicano, calça rasgada e, geralmente, em grupos.  Sobre os censores, Mao recorda do que poder ter sido dos Garotos Podres a última música vetada pelo regime autoritário. Na ocasião, às vésperas da promulgação da nova Constituição, fim dos a...

Godzilla Minus One é sobre um monstro. Pode ser vários

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  Da série Só assisti Agora. Esqueça que o chamariz é um monstrão se não curte filmes desse tipo. Godzilla Minus One trata-se de vários tipos de monstros. Generalizados como a guerra e suas mazelas, o medo do perigo atômico radioativado, mortes em massa. Repare, geral tá gastando em armamento como não se via, sei lá, desde a Guerra Fria. Porém, o que mais me pegou nessa obra de duas horas realizada por Takashi Yamazaki são as metáforas alusivas aos medos individuais, de cada um. Ambientado no Japão pós II Guerra Mundial, o protagonista carrega uma culpa desgraçada por não morrer pelo “Império”. Ainda é visto por algumas pessoas como covarde e responsável pela morte de muitos, incluindo pai e mãe.  O filme de 2023 venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais. Sim, tá lá o quê de ação e aventura nessa espécie de homenagem ao monstro japonês mais famoso do cinema mundial. Trilha sonora by Naoki Sato dá aquele clima apropriado para uma boa história. Imagina todo esse combo em uma sa...

Jerry Springer era puro suco (podre) de televisão

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  Jerry Springer: Brigas, Câmera, Ação. Tropecei nesse documentário/minissérie ao ler uma coluna da Folha, esqueci agora de quem era. Faz um tempinho.  O mote era sobre a ainda existência de programas que exploram e satirizam a condição humana/relações humanas. Sensacionalistas.  Daí o cara recomenda essa produção da Netflix. “Essa série documental chocante mostra os bastidores do talk show mais polêmico dos EUA, expondo seus maiores escândalos na frente e por trás das câmeras.”  Essa é a sinopse da bagaça diluída em dois episódios de quase 50 minutos cada. Dirigida por Luke Sewell, aborda um programa de televisão dos anos 90. Mais ou menos um talk show apresentado por Jerry Springer. O mais ou menos é proposital, pois à medida que a fome por audiência aumenta, menos cara de programa tradicional de entrevistas tem.  Jerry é, como o pessoal da sua equipe definia, o genro que toda sogra queria, o gente boa. Sabia ser convicente e naquela impressão de falar o que ...

Make hipnocracia again, again, again

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  Já que dá quase nada escrever por aqui – o que é bom e ruim – a dica é esse artigo em que tropecei via newsletter do André Forastieri  . É artigo de professor de filosofia, o Jianwei Xun, que cunha o termo Hipnocracia. Com base no discurso de Trump e nos atos nazistas de Elon Musk, o teacher de Hong Kong descasca muito bem o que tem por trás da eficiente oratória/atos do presidente estadunidense. Que de bobo não tem nada, acredite.  Sob o título A Hipnocracia ou o Império das Fantasias, ele faz um abrangente destrinchado da bagaça.   Eu li em espanhol, mas qualquer dispositivo de tradução vai dar bom caso precise. “A noção de hipnocracia 1 –O Poder e a Dominação das Fantasias– é usado para descrever este sistema no qual o poder opera diretamente, ou seja, algoritmicamente, na consciência, criando estados alterados permanentes através da manipulação digital da atenção e da percepção.” “Este não é um simples exercício de retórica, estamos testemunhando o estabe...

Anuja lembra que criança não é para dar trabalho

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  Cara, Anuja é daquelas pérolas que valem a pena parar para assistir. Parar mesmo. São 22 minutos, de uma história bem contada, de uma pequena protagonista cativante, e, ao mesmo tempo, mostra a dureza desses tempos modernos para quem nasceu longe de um berço minimamente decente. Com aquele porém de sempre: o fato de eu ser pai bem meia boca pode interferir na impressão. Anuja concorre ao Oscar de Curta Metragem em live action. Não sei quem são os concorrentes. Foi mal, nem vou atrás agora. Diferença nenhuma fará para este que teima em escrever groselhas. Meio saco cheio desse modo competitivo que teima em estar sempre na moda. A qualquer preço. Anuja é a menina interpretada por Sajda Pathan, que junto com a irmã mais velha , Palak (Ananya Shanbhag), trabalha em uma fábrica de roupas em Nova Delhi, Índia. Daí, ela tem a oportunidade de fazer uma prova que vale vaga para frequentar a escola, o que pode fazê-la ter um horizonte melhor para a sua vida. Mas, para isso, terá de deixar ...

Um filme que pode ser Bem me Queer ou Mal me Queer

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  Filme pode seeer ou ão me Qer O longa Queer, estrelado por Daniel Craig, não foi, assim, bem avaliado pelos especialistas. Na real, suspeito que o livro de William S. Burroughs em que o filme se baseia deva ser melhor. Porém, é puro achismo. Dirigido pelo italiano Lucas Guadagnino (Me Chame Pelo Seu Nome, entre outros), o drama narra a história de um cidadão estadunidense (Lee) que vive na Cidade do México, geralmente na gandaia, encontros furtivos e uns papos com seus conterrâneos que também pararam por lá. Entre uns grilos, crises e tal, engata um relacionamento com ex-soldado, Eugene, e daí, os dois entram em uma espiral de acontecimentos. Queer tem pontos a desejar. Sobretudo a parte em que Lee (Craig) e o companheiro Eugene (Drew Starkey) partem para a América do Sul. Sei lá, impressão é a de caricaturizar demais. De repente sobra até para o Brasil. O filme tem pouco mais de duas horas e, creio, conspira contra. Certa hora a produção parece se arrastar. Vai ver a intenção er...