Sessão Mostra Mulheres em Cena de MS com força
Assim, Mulheres em Cena foi o recorte do primeiro de quatro dias da nona Mostra Sesc de Cinema. E, pra variar, a oportunidade e a vontade de assistir coisas produzidas na terrinha falam mais alto.
Foram exibidos quatro trabalhos em um total de pouco mais de uma hora.
A primeira produção foi de Suzana Dias. Hurluberlu tem dois minutos. Em francês, a palavra é algo tipo excêntrico, extravagante, e tal. Sinceramente, não sei se tem a ver com a proposta, mas penso que, sim.
Fruto da produção gerada pelo Audiovisual da UFMS, em torno de 120 segundos, registra breve passeio de uma garota ambientado em uma floresta. Daí, usa a imaginação e sensações, e meio que fazem um contraste entre aparições rápidas, tipo piscou perdeu, com o cenário aparentemente tranquilo da área verde.
O segundo trabalho foi o primeiro do combo da noite de Ligia Tristão Prieto. Na direção, ela usa o meio rural ao fundo, cenários de Mato Sul que dão vontade de estar, para tratar do etarismo. Eleonora tem uns 18 minutos e traz a história de uma mulher que já passou dos 60 anos e vive sozinha em sua fazenda. O curta começa com o ar de interior, do Pantanal, cafezinho, leite tirado da vaca, para, aos poucos abordar preconceitos e amores, como a relação com pessoas mais jovens.
Aliás, depois de assistir a obra, pensamos que a vida da mulher que surge como elo de ligação entre Eleonora e o filho do leiteiro talvez fosse até mais interessante do que da própria Eleonora. Vai que rola continuação, né.
Com o Grupo Casa, de 2024, Eleonora já passou fora do Estado, e segundo li na Let’s go Bahia, foi rodado em quatro dias e marcou a estreia de Ana Lúcia Serrou como atriz. Gostei da participação de Amarilis Irani como Rosinha. Curioso como poucos instantes são suficientes para mostrar uma força na atuação.
A segunda da noite da prolífica Ligia Prieto, Na Sombra da Chuva (é de 2023, isso né) tem oito minutos e a situação em que uma viúva entra em uma cafeteria/padaria para se proteger da chuva. Interpretada por Fannyah, ela engata uma conversa com a funcionária (Karine Araújo), e ambas descobrem em diálogos ríspidos/melancólicos/
O tom urbano e a direção de arte de Raphael Henrique ficaram legais. E pensar que o projeto foi tocado com R$ 6 mil. De repente, apenas um devaneio, lembrei do El mariachi, do Robert Rodríguez (de 1992).
Méritos da Lígia Prieto e do Casa. Agora, “Quando A Gente Se Encontrar” vai ser diferente, hein? Que seja bem bom mesmo. Opa, tava esquecendo, Fannyah, no papel da senhora viúva vai bem também.
O terceiro trabalho sul-mato-grossense da sessão veio com Vestigial. De e com Julia Mansur, doze minutos de imersão audiovisual em forma de dança que explora lances sensoriais para exibir o que nos rodeia hoje em dia (natureza, tecnologia, comportamento).
Logo que o vídeo começou tive a impressão, “parece com os trabalhos do grupo Ginga”. E, realmente, a companhia de dança tem colaboração neste trabalho. Fran Khadija, Chico Neller, já possuem uma marca estilo bateu o olho você sabe quem é.
A Mulheres em Cena fecha com Coragem. Dirigido por Pedro Alvarenga, em 25 minutos, traz um pouco do que vive a arte-educadora-ativista Emy Santos. Em depoimentos, a trans relata os perrengues, desafios, e a luta da minoria em Campo Grande.
Registrar também a escolha dos lugares, e, por consequência, as imagens, que trouxeram pontos de vistas diferentes de pontos conhecidos de Campão.
Li agorinha que o documentário sobre a professora queer será exibido em Paris, neste mês de outubro, durante o La Terreirada – Journée de la Diversité.
Parabéns às pessoas envolvidas na empreitada. E no Brasil, pessoal tá mais preocupado com banheiro… Triste.
Após as exibições, rolou um bate-papo com responsáveis pelos quatro trabalhos e, certamente, deve ter sido proveitoso.
E. deu, groselhei demais já.
Mais um rolê que valeu a pena: conhecer o que se faz em Mato Grosso do Sul no campo do audiovisual. Só para demarcar, muito disso com apoio de programas de incentivos vindos do poder público. Depois, não vai dizer que não sabia… entendeu?!
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