Postagens

Karen y Los Remedios fazem um som bem de boinha

Imagem
Bora escutar unos sonidos del México. Dar uma espairada com Karen y Los Remedios . Gostei de uma definição que li sobre o trio: uma mistura de cumbia e existencialismo .   Tropecei neste som calminho, mas nem por isso bobinho – ela tem especialidade em Artes e Ciências Visuais - por meio do canal da Kexp, do You Tube. Ana Karen Barajas no vocal, Guillermo Berbeyer na guitarra, e Jiony, produtor e teclado. Pelo que entendi, Karen mora ou morou um tempo na China – na parte mais ocidental – e isso fez com que rolasse sentimento de volta ás raízes. Disse que quando escutava a cumbia aleatoriamente, batia aquela saudade da terrinha. Karen e companhia estão longe de gritaria, barulheira e tal. A cumbia – sinceramente um estilo que conozco muy poco – está lá, porém, de modo sintetizado, certo minimalismo. Portanto, você pode não gostar. Sei lá se é fase, curti diversas faixas. Tem uma letras bacanas também. Como Canarios “Tú siempre serás así Nunca cambiarás No hay problema porque yo Você...

Só assisti agora, Perfect Blue é animação das melhores. Não é mar de rosas, não

Imagem
 Só assisti agora (sim, depois de passar pela Adolescência, pensa), Perfect Blue é uma animação do fim dos anos 90. 1998, creio. Nervosíssima. Em pouco menos de hora e meia, uma das melhores produções que assisti nesse segmento tem direção de Satoshi Kon e é baseado em obra de Yoshikazu Takeuchi. Basicamente, o longa narra a história de Mima. Uma garota que deixa um grupo de música pop japonesa, em que tinha relativo sucesso. E uns fãs, digamos, animados além da conta.  Mima larga a cena musical para tentar a carreira como atriz em uma produção televisiva adulta. A partir daí, a jovem artista entra em umas paradas onde rola um perseguidor, empresário, agente, e diretores de cárater duvidoso. E, obscuro.  Ao mesmo tempo, Mima meio que vai deixando se levar, é pressionada por gente que não se conforma por ela ter saído do grupo musical. Por outro lado, literalmente meio sem querer entra em uma espiral violenta que chega um ponto em que seu lado psicológico rouba a cena. De ...

Minissérie leva a Adolescência de hoje a sério. Muito.

Imagem
  Adolescência vale todo o barulho provocado. E eu nem sabia desse estardalhaço. Indicação pesa mais do que qualquer algoritmo. A minissérie britânica tem quatro episódios. Da Netflix, quatro horas mais ou menos. Assisti em uma toada só. No meu caso, isso dificilmente acontece. Um garoto de 13 anos é acusado de assassinar uma colega de escola, levando a família, a terapeuta e o investigador do caso a se perguntarem: o que realmente aconteceu? A frase é da sinopse.  A resposta? Mil coisas. Idealizado por Jack Thorne e Stephen Graham – que interpreta e bem o pai de Jamie – Adolescência é dirigido por Philip Barantini. Foi feito em um único plano-sequência, sem edição digital. Ficou bem bom. Canções também são deixadas de lado. Rola um clássico do A-Ha, e olhe lá. Claro, pra quê brigar com o óbvio. A repercussão desse drama policial/psicológico é a história em si e a gama de assuntos que aborda de maneira destruidora e envolvente. Sei lá, minha visão foi de pai, e de quem tem alg...

Única Garota da Orquestra faturou até Oscar. Mas, não sei

Imagem
  A Única Garota da Orquestra tem 35 minutos. Não precisa de mais, se é que você me entende. O ganhador do Oscar de Melhor Documentário Curta Metragem deste ano tem um quê de erudito. Mostra um pouco de Orin O’Brien, a primeira musicista mulher a integrar a Orquestra Filarmônica de Nova Iorque, em 1966. Pelo que entendi, hoje a personagem da história – que já tem lá seus oitenta e poucos – é uma baita craque no contrabaixo. Só que isso na época era o de menos, como evidencia o documentário dirigido por Molly O’Brien . Sim, o sobrenome não é mera coincidência. A diretora é sobrinha da artista e foi quem deu aquela força para Orin falar sobre a sua trajetória. O termo “aquela força” é real. A double bass (adorei o termo inglês para contrabaixistas) diz ter escolhido este instrumento por preferir fazer o trabalho formiguinha, sem desejo de ser protagonista. Talvez seja reflexo das experiências vividas por sua mãe e seu pai, artistas de Hollywood e problema zero em ser o centro das ate...

Só vi agora, Rag Doll é mais que um curta. É triste, é humano

Imagem
  Tudo bem, sei que a maioria trata animação como arte menor. Bom, literalmente, pode até ser se for curta-metragem. Eu curto, curta. No caso de Rag Doll, se sensibilize. Ou, não. Eu, sim. Tropecei nesse belo e instigante trabalho de 18 minutos depois que terminei de ver outra boa animação de poucos minutinhos, por meio de indicação, o The Maker . Rag Doll é de 2020, se não me engano. Meu, é triste e bonito. Dirigido por Leon Lee, que não deve ser muito quisto na China, a animação foi selecionada para vários festivais, inclusive Cannes. Olha, talvez tenha buscado informações em lugares errados. Foi meio difícil encontrar textos/artigos sobre a Boneca de Pano (tradução para Rag Doll). Fato é que, o curta já começa tenso e faz pouca questão de distensionar. Leon Lee trabalha muito com as metáforas. Quando o tempo fecha lá em cima, é sinal de que virá perrengue para a garotinha da história e sua boneca. A trilha sonora também serve de prenuncio de que coisa boa não virá. Tecnicamente,...

Pulando o bloco dos pré-conceitos em Campão

Imagem
Imagens: Luciano Kishô  Ah, esses pré-conceitos, preconceitos quando se trata de Carnaval de Campo Grande... Foi a primeira vez que assisti ao desfile das escolas de samba – aliás, a única capital do Centro-Oeste a ter este tipo de concurso. Na real, fui meio que arrastado pela filhota. Que encasquetou na ideia e, dizer não não é uma virtude que me acomete. Nossa aparição na Praça do Papa foi somente no primeiro dia. Deu aquela atrasada de praxe, discursos e tal – menção honrosa à homenagem aos que se foram, como Beto Figueiredo, e, um telão voltado para a área dos camarotes. Calma, este relato vai pegar uma curva para evitar cair na vala comum dos comentários estereotipados e tal acerca do trabalho das participantes. Em pé, ou na arquibancada, quando alegorias e adereços adentraram na passarela foi uma experiência agradável. Escutar uma bateria de perto, ver o esforço, a tentativa de exibir algo que levante as pessoas, ou ao menos renda gritos e, aplausos… ver gente. Do que vislum...

O Carnaval de Ainda Estou Aqui

Imagem
Independente do que houver domingo, a emoção está garantida. De repente é aquela corrente pra frente, parece que o Brasil inteiro deu a mão.  Aos olhos de milhões de cinéfilos formados em tempo recorde, Fernanda Torres já ganhou. Ainda Estou Aqui idem. Qualquer outro resultado que não seja levantar o troféu, digo, estatueta, no Trumpistão é marmelada. Esquema já sabido para o Brasil jamais ganhar. Se fosse em língua inglesa era outra coisa. Até parece que iam deixar uma produção feita fora da Europa levar. Argentina não conta, eles se acham europeus. Talvez precise avisar: os “argumentos” acima contêm ironia.  Reafirmo, Ainda Estou Aqui é baita filme, Eunice arrebenta, e tudo o mais. Já dei meu pitaco . Porém, caso o longa e a atual mais famosa atriz brasileira sejam preteridos pela tsl Academia, não será o fim do mundo. Palmas aos premiados. Vida que segue. O filme de Walter Salles já atingiu as expectativas com sobras. Deselegante malhar a produção vencedora, a atriz idem. ...